Estados disputam visita de Obama ao Brasil

Rondônia usa Amazônia como motivo para atrair comitiva do presidente americano; no Rio, comunidades pacificadas não escondem expectativa

Rafael Moraes Moura, O Estado de S.Paulo

13 de fevereiro de 2011 | 00h00

Abaixo de Deus, ele é o homem mais poderoso da Terra, nas palavras de Valdinei Medina, presidente da Associação de Moradores do Chapéu Mangueira, no Rio. "Ele" é outro presidente, o dos Estados Unidos, Barack Obama, que fará sua primeira visita ao Brasil em março, depois do carnaval. Enquanto Obama não chega, não faltam articulações por espaço na agenda do americano.

O Rio quer apresentar a experiência das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), as comunidades anseiam pela subida de Obama a suas casas e até a longínqua Rondônia entrou na história, após o governador Confúcio Moura (PMDB) pedir que o Estado fosse incluído no roteiro.

À espera da confirmação do Chapéu Mangueira no roteiro presidencial, Medina torce pelo dia em que o "homem mais poderoso do mundo" surgir na favela. "Seria inesquecível, não estou nem dormindo mais", diz. Representantes do governo americano já estiveram no Rio para visitar as favelas e montar o roteiro.

O presidente da Associação de Moradores do Santa Marta, José Hilário, nega rivalidades, mas diz que na sua comunidade Obama teria mais "receptividade". "Ele é um ícone, que nem Madonna e Michael Jackson. Uma visita dele é uma vitória para todos nós", afirma Hilário.

Quando Obama tomou posse, em 2009, o baiano Jaques Wagner (PT), enviou um telegrama. Ele parabenizou o americano e disse que a Bahia, Estado com grande população afrodescendente, gostaria de recebê-lo. Como Obama deve ir a Rio e Brasília em dois dias, os baianos aguardam a visita em uma próxima viagem ou em agenda não oficial.

Rondônia. Frustrado com a ausência da Amazônia na programação, Confúcio Moura diz que procurou a Embaixada dos Estados Unidos para fazer um "convite provocativo": conhecer a estrada de ferro Madeira Mamoré. "Ele não pode deixar dois terços do Brasil de fora", afirma.

Com ou sem Rondônia, a visita do primeiro presidente negro dos EUA à primeira mulher presidente do Brasil carrega simbolismos, avalia o cientista político João Paulo Peixoto, da Universidade de Brasília. "É uma figura proeminente, carismática e traz simpatias até pelo fato de a composição da nossa população se assemelhar à dos EUA do ponto de vista étnico." Rio e Brasília, observa Peixoto, são o roteiro "clássico" de uma visita oficial. De qualquer jeito, Confúcio garante que seu convite está de pé.

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