Estados têm corrida para inauguração de obras

Cinco governadores e um ex-governador, todos candidatos, veem prazo legal expirar

Alfredo Junqueira, Ângela Lacerda, Carmem Pompeu, Elder Ogliari, Fátima Lessa e João Naves de Oliveira., O Estado de S.Paulo

03 de julho de 2010 | 00h00

Na última semana permitida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para inaugurar obras, governadores de pelo menos seis Estados apressaram-se em entregar benfeitorias à população e, assim, garantir exposição e dividendos eleitorais. Todos são candidatos à reeleição.

Em Mato Grosso, Estado do governador Silval Barbosa (PMDB), a alternativa encontrada foi o "governo itinerante" para correr contra o tempo. Municípios foram atendidos num espaço de 24 horas para assinatura de convênios. O custo da empreitada, segundo o secretário adjunto de comunicação, Onofre Ribeiro, "não passou de R$ 500 mil".

O "governo itinerante" é criação do ex-governador Blairo Maggi (PR), que deixou o governo para disputar uma cadeira no Senado. "O objetivo era dar mais visibilidade ao governo do Silval Barbosa, que assumiu no dia 31 de março e ainda não tinha tido a oportunidade de visitar os municípios como governador", afirmou Ribeiro.

Obras e reajuste. No Rio, o governador Sérgio Cabral Filho (PMDB), que busca a reeleição, entregou de pelo menos 11 obras e promoveu reajustes nos salários de 343 mil servidores estaduais na última semana.

Os valores envolvidos superam os R$ 600 milhões. O impacto do aumento dos vencimentos do funcionalismo estadual é estimado em R$ 1,3 bilhão em 2011.

O peemedebista ainda homologou, na última quinta-feira, licitação no valor de R$ 99 milhões para obras de pavimentação e tapa-buraco em 91 cidades do Estado - apenas a capital ficou de fora. A Secretaria Estadual de Obras negou que a iniciativa tenha qualquer relação com questões eleitorais.

Emblemática. Em Pernambuco, o governador Eduardo Campos (PSB), candidato à reeleição, entregou ontem a primeira etapa do sistema de abastecimento Pirapama. O objetivo é livrar a região metropolitana do Recife do sistema de rodízio no abastecimento de água.

Estimado em R$ 550 milhões, Pirapama prevê o atendimento de 3,5 milhões de pessoas, quando totalmente concluído - o que está previsto para dezembro deste ano. A etapa inaugurada ontem atenderá 400 mil pessoas e a vazão oferecida nesta primeira fase equivale a 20% da produção total do sistema, que será de 5.130 litros de água por segundo.

Última hora. O governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), candidato à reeleição, entregou ontem pela manhã sete Centros de Inclusão Tecnológica e Digital (CITS) em Fortaleza. À noite, em Quixeramobim, no sertão central, Cid inaugurou centro cirúrgico do hospital da cidade e assinou ordem de serviços para recuperar a estrada que vai até a cidade vizinha, Madalena.

Obras consideradas para o turismo do Ceará, como o Centro de Feiras e Negócios, não contam com trecho concluído. O aquário gigante, que pretende construir na Praia de Iracema, e a ampliação do estádio Castelão, nem saíram do papel.

De volta às ruas. No Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), candidata à reeleição, ampliou sua agenda pública em 2010. Em 2007 e 2008, ainda às voltas com a necessidade de reverter o histórico déficit orçamentário, a tucana teve poucas obras a mostrar.

Em 2009, acuada por denúncias de corrupção em seu governo, ficou a maior parte do tempo reclusa. Agora, retomou a participação em eventos, festas, inspeções e inaugurações de obras.

A construção mais vistosa é um trecho da RS-471 que vai encurtar em 100 quilômetros o trajeto pavimentado entre o noroeste do Estado, região produtora de grãos, e o Porto de Rio Grande, no sudeste. Na quarta-feira, Yeda vistoriou a obra.

Com Lula. Zeca do PT, candidato ao governo de Mato Grosso do Sul para um terceiro mandato, convidou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para participar de duas inaugurações no Estado durante o próximo mês.

A primeira é o Projeto de Assentamento Itamaraty, em Ponta Porã, onde vivem 2.785 famílias assentadas pelo Incra. A segunda é a Universidade Federal da Grande Dourados (UFDG), que em janeiro deste ano formou a primeira turma. A obra já consumiu mais de R$ 40 milhões e ainda está na fase de conclusão da maioria dos novos prédios.

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