Estiagem eleva municípios em estado de emergência no PR e RS

Produção agrícola no sudoeste do Paraná e norte do Rio Grande do Sul vem sendo afetada pela falta de chuvas

Sandra Hahn e Julio Cesar Lima, Agência Estado e especial para O Estado de S.Paulo

07 de janeiro de 2009 | 18h33

Com mais três decretos encaminhados nesta quarta-feira, 7, subiu para 50 o número de municípios em situação de emergência por causa da estiagem no Rio Grande do Sul. Foi o que aconteceu também no sudoeste do Paraná, onde duas cidades também entraram em estado de emergência. A Defesa Civil gaúcha ainda não tem registro de falta de água para populações urbanas, mas a situação preocupa a agricultura, que atravessa o final do plantio e o desenvolvimento da safra de verão. Noroeste e norte são as regiões mais afetadas. No Paraná, a falta de chuvas nos últimos sessenta dias fez com que as duas cidades pedissem a liberação de recursos para a normalização da produção agrícola, o setor mais atingido. Em todo o Estado, os prejuízos com a estiagem chegam a R$ 1,5 bilhão. Por causa da baixa umidade do solo em regiões produtoras, o plantio de soja, a principal cultura do Rio Grande do Sul, está atrasado, o que aumenta o risco climático no desenvolvimento do grão. A situação que mais preocupa é do milho, que por enquanto tem uma quebra de 0,68% em relação à estimativa inicial de produção, de 5,492 milhões de toneladas, informa a diretora técnica da Emater, Águeda Marcéi Mezomo. Contudo, o desenvolvimento da safra está em fases críticas em que o clima pode definir o rendimento.  Já segundo o assessor da prefeitura da cidade paranaense de Saudade do Iguaçu, Nei Bocalon, a busca por recursos estaduais e federais é uma alternativa pela gravidade da situação. "O milho e o feijão houve uma perda de 100% e na produção de leite, uma das grandes forças do município houve uma perda de mais de 50% ", disse à imprensa local. Dados da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná projetou uma perda de três milhões de toneladas de grãos, entre feijão, soja e milho e deve prejudicar a estimativa de 32,2 milhões de toneladas, o que seria um novo recorde no setor. Estima-se que dos 80 mil contratos de custeio da safra de verão feitos entre bancos e produtores em todo o estado, cerca de 20% devem solicitar a perícia para ressarcimento do seguro agrícola. Isso, porém, deverá ser acompanhado por comissões criadas especialmente para essa situação. Previsão no RS Após chuvas no último final de semana, a instabilidade deve voltar ao Estado na sexta-feira. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê que as chuvas podem se prolongar durante o final de semana. No mês de janeiro, o Inmet espera precipitação um pouco abaixo do habitual no Rio Grande do Sul, lembra o meteorologista Solismar Prestes. O padrão de chuvas no verão já é baixo para a necessidade da agricultura. Em dezembro, a precipitação acumulada em Uruguaiana, no oeste, foi de apenas 13 milímetros, quando a média do período é de 101 milímetros.

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