Estilista Daniela Conolly e outros 13 morrem em sítio em Petrópolis

Oito eram da mesma família, a do economista Erick Conolly; deslizamentos mataram dezenas

Márcia Vieira e Pedro Dantas, O Estado de S. Paulo

12 de janeiro de 2011 | 19h24

RIO - Um dos maiores dramas desta tragédia na região serrana aconteceu no paradisíaco Vale do Cuiabá, em Itaipava, distrito de Petrópolis. Lá, no sítio da família Gouvêa Vieira, uma das mais tradicionais e ricas do Rio, morreram 14 pessoas. Oito eram da mesma família, a do economista Erick Conolly, diretor da holding do Icatu. Connoly, de 34 anos, perdeu o pai, a mãe, três filhos, uma irmã, a estilista Daniela Conolly, o sobrinho, de 2 anos, e o cunhado. A babá que cuidava do filho da estilista também morreu.

 

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Erick, que estava no Rio, resgatou de helicóptero a mulher e a filha. Elas estão internadas no Hospital Copa D'Or. A família havia alugado a casa de Angela Gouvêa - cunhada de Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira, presidente da Firjan - e passava férias no sítio. "Meus enteados estão lá. Contaram que parecia uma tsunami de rio", contou a vereadora Andréa Gouvêa Vieira, casada com o empresário Jorge Hilário Gouvêa Vieira. As vítimas morreram afogadas.

 

"A tromba d' água vinda do Rio Santo Antônio inundou toda a área do vale", disse Andréa. "A casa onde eles estavam inundou. Uma parte caiu. As pessoas não conseguiram sair. Estamos todos em estado de choque. Ninguém consegue chegar lá, a não ser de helicóptero."

 

No Copa D'Or, Erick Conolly não quis dar entrevistas. Aos prantos, ficou junto com outras pessoas da família à espera de notícias da mulher e da filha. O hospital não divulgou boletim sobre o estado de saúde das duas.

 

A notícia da morte da estilista Daniella Conolly nesta tragédia entristeceu o Fashion Rio. A estilista, de 39 anos, era dona da grife Koolture, que desfilou por várias edições na semana de moda, no espaço dedicado a novos estilistas.

 

A sofisticada Pousada Tambo Los Incas, também no Vale do Cuiabá, foi totalmente destruída. "Graças a Deus não havia nenhum hóspede", contou a proprietária Gilka Leite Garcia. "A minha família tem esta propriedade desde 1928 e nunca nada parecido tinha acontecido." O rio Cuiabá, ao lado da pousada, transbordou e atingiu o telhado da pousada. "A última coisa que o meu caseiro conseguiu me dizer antes de fugir foi que parte da pousada tinha desaparecido completamente". Gilka não pensa em reconstruir a casa. "Se aconteceu uma vez, pode acontecer de novo. Não posso arriscar."

 

Dois haras da região também foram atingidos. Segundo o Jockey Clube Brasileiro, no Centro de Treinamento Vale do Cuiabá, o filho de um funcionário foi arrastado pelas águas. Cavalos morreram, outros ficaram feridos e terão que ser sacrificados. Em outro haras, o Santa Maria, pelo menos três pessoas morreram.

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