Estilista havia tentado suicídio duas outras vezes

O estilista Amaury Veras, encontrado morto ontem, já tinha tentado se matar duas vezes este ano. A informação, passada por seu sócio, Frankie Mackey, em depoimento a policiais, e confirmada por outras pessoas que conviviam com ele, reforça a hipótese de suicídio, a mais provável até agora, para a polícia.Segundo policiais que ouviram Frankie, ele contou que nas duas vezes em que o amigo tentou o suicídio, ligou o gás. Ambas foram no mesmo apartamento do Arpoador (zona sul) em que Amaury provavelmente se enforcou, com uma echarpe. Frankie, que também mora lá, o socorreu nas duas ocasiões anteriores. Apesar de todos os indícios apontarem para o suicídio, a polícia ainda tem dúvidas quanto ao ferimento observado no supercílio esquerdo de Amaury. Por isso, vai periciar novamente o apartamento."Vamos fazer nova perícia para verificar se a lesão é compatível com uma queda provocada pelo arrebentamento do laço na echarpe. Se não houver compatibilidade, poderemos considerar a hipótese de homicídio", disse o chefe de Polícia Civil, Álvaro Lins.DepressãoAlém de Frankie, que deverá ser ouvido novamente, já prestaram depoimento a médica de Amaury, a empregada e funcionários do prédio da dupla.O sócio já disse que ele andava deprimido. Na noite de quarta-feira, recusou-se a participar de uma reunião de trabalho, preferindo ficar sozinho, em casa. Frankie chegou ao apartamento, depois da reunião, e Amaury estava vendo televisão. Ele então foi dormir. Ao acordar, no dia seguinte, encontrou o corpo pendurado numa porta com a echarpe enrolada no pescoço. Amigos que compareceram ao enterro confirmaram que Amaury não estava bem. "Quem convivia com Amaury notava que ele andava com o olhar distante, ficava introspectivo. Reclamava muito de fadiga", disse o escritor Bruno Astuto. Ele passou a noite de ontem na casa dos dois e relatou que Frankie estava muito abalado e precisou tomar sedativos para domir.Hoje, ao chegar ao enterro, Frankie se limitou a dizer "Ele mora aqui", apontando para o coração. Ele usava um blazer e um anel que Amaury lhe deixara. O sepultamento foi acompanhado por cerca de cem pessoas, entre parentes, amigos do mundo da moda e funcionários da loja Frankie Amaury, que vestiam uma camiseta preta com o nome da grife.O irmão de Amaury, Almir Veras, afirmou que ele era uma pessoa fechada, que por vezes se mostrava bastante depressiva. "Ele tinha rompantes, dizia `hoje está tudo ruim, eu não quero saber de nada, vou jogar tudo para o alto, vou viajar, não volto mais´". Almir não acredita que o irmão tenha se matado por causa de problemas financeiros. Ele disse que a situação da empresa, que passara uma crise, já estava sendo resolvida graças a uma injeção recente de capital.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.