Estilo ''bon vivant'' de Aécio preocupa oposição

Multa por dirigir com carteira vencida causa desconforto entre correligionários do tucano, apontado como principal nome para sucessão presidencial

Eugênia Lopes / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

19 Abril 2011 | 00h00

O estilo "bon vivant" de Aécio Neves (PSDB-MG) preocupa líderes da oposição que temem o impacto de eventuais deslizes no potencial político do mineiro, apontado como uma das apostas para a eleição presidencial de 2014.

Em conversas reservadas, aliados do tucano consideraram um "vacilo" do senador andar com a habilitação vencida. A avaliação é que um político com as pretensões de se candidatar à Presidência precisa ser mais cuidadoso. O senador foi flagrado em uma blitz no Rio de Janeiro, na madrugada de domingo, com a carteira de motorista vencida e se negou a fazer o teste do bafômetro.

Correligionários do tucano disseram ontem que esperam que ele "aprenda a lição" e que não cometa mais esse tipo de erro. Confiam ainda que ele adote um estilo de vida mais discreto e sem se envolver em episódios polêmicos e escandalosos.

Publicamente, no entanto, tucanos, democratas e até governistas saíram em defesa de Aécio. "Ele teve uma postura correta, não deu carteirada", disse o líder do PSDB na Câmara, deputado Duarte Nogueira. "Isso poderia ter acontecido com qualquer um", minimizou o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB).

Aliados de Aécio estão certos de que há "exploração política" do episódio. Argumentam que o senador deu todas as explicações e que o fato já faz parte do passado. "Ele não sabia que estava com a carteira vencida", afirmou o presidente nacional do PSDB, deputado Sérgio Guerra. Questionado sobre a polêmica envolvendo Aécio, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso se esquivou de fazer comentários: "Não vi, não vi, não vi".

Em 2009, Aécio recomendou que motoristas não dirigissem depois de ingerir bebidas alcoólicas. Na época, quando a Lei Seca completava um ano, ele era governador de Minas e havia determinado a intensificação das blitze no Estado. "Prefiro que uma pessoa passe o carro para alguém que não bebeu do que leve uma multa e perca sete pontos na carteira", disse. / COLABOROU LUCIANA NUNES LEAL

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