Estilo ''bon vivant'' de tucano preocupa oposição

Multa por dirigir com carteira vencida causa desconforto entre aliados do tucano, cotado para a sucessão presidencial

Eugênia Lopes / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

19 Abril 2011 | 00h00

O estilo "bon vivant" do senador Aécio Neves preocupa líderes da oposição que temem o impacto de eventuais deslizes no potencial político do mineiro, apontado como uma das apostas para suceder a presidente Dilma Rousseff.

Em conversas reservadas, aliados consideraram um "vacilo" do senador dirigir com a habilitação vencida. A avaliação é que um político com as pretensões de se candidatar à Presidência precisa ser mais cuidadoso. Para os aliados, os três anos que faltam para as eleições serão tempo suficiente para o senador abandonar o "jeito zona sul".

Correligionários do tucano disseram ontem que esperam que ele "aprenda a lição" e que não cometa mais esse tipo de erro. Confiam ainda que ele adote um estilo de vida mais discreto e sem se envolver em episódios polêmicos e escandalosos, ficando afastado de festas e noitadas.

Publicamente, tucanos, democratas e até governistas saíram em defesa de Aécio. "Ele teve uma postura correta, não deu carteirada", disse o líder do PSDB na Câmara, deputado Duarte Nogueira (SP). "Não vejo problema nenhum no estilo de vida do Aécio desde que isso não interfira na atividade, na ação política dele", completou.

"Isso poderia ter acontecido com qualquer um", minimizou o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). "Mas temos de ter cuidado ao dirigir", ponderou. Questionado sobre a polêmica, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso se esquivou de fazer comentários: "Não vi, não vi, não vi".

Aliados de Aécio estão certos de que há "exploração política" do episódio. Argumentam que o senador deu todas as explicações e que o fato já faz parte do passado. "Ele não sabia que estava com a carteira vencida", afirmou o presidente nacional do PSDB, deputado Sérgio Guerra.

Conselho. Em 2009, Aécio recomendou que motoristas não dirigissem depois de beber. Na época, quando a Lei Seca completava um ano, o tucano era governador de Minas e havia determinado a intensificação das blitze no Estado. "Prefiro que uma pessoa passe o carro para alguém que não bebeu do que leve uma multa e perca sete pontos na carteira", disse Aécio.

"Nesses grandes locais de concentração de pessoas e festas, onde acidentes ocorrem com frequência, montamos essa estratégia. As saídas serão fiscalizadas com bafômetro, que acredito ser uma forma de educar com um pouco mais de vigor", afirmou o então governador.

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