DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO
DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO

Estilo de vida pode fazer despesa crescer

Embora os preços das mensalidades dos planos de saúde sejam definidos hoje basicamente pela faixa etária, os diferentes estilos de vida dos beneficiários de idades próximas poderiam colocá-los em grupos totalmente diferentes.

Fabiana Cambricoli, O Estado de S. Paulo

26 de julho de 2015 | 03h00

A aposentada Ondina Ramos Bollonhi, de 77 anos, é sedentária, come massas e doces com frequência, adora uma cerveja, tem pressão alta e não toma remédio para controlá-la. Na mesma faixa etária, a dona de casa Rosa Valério, de 70 anos, faz exercícios físicos quatro vezes por semana, vai ao médico periodicamente, não tem doenças crônicas e prioriza no cardápio verduras, legumes e massas integrais.

“Diversos estudos já mostraram que pessoas que têm no estilo de vida fatores de risco para doenças gastam, em média, 16% a mais com saúde do que a população em geral”, diz Raquel Lisbôa, gerente-geral de regulação assistencial da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

A preocupação com a prevenção já faz parte da rotina de Rosa, e não é só pelo medo de desenvolver doenças. Ela tem um plano de saúde com coparticipação, ou seja, tem de pagar um porcentual de cada procedimento que realiza. A mensalidade é de cerca de R$ 500. Quanto mais ficar doente, mais gastos terá.

“Optei por esse modelo porque a mensalidade é um pouco mais baixa. Acredito que, me cuidando agora, tenho menos chance de ter complicações e vou usar menos o plano, o que vai sair mais barato”, diz ela, que faz dança e tai chi chuan e emagreceu dez quilos.

Para a ANS, a coparticipação pode levar o beneficiário ao uso mais consciente do serviço. “Estamos estudando a efetividade dos fatores moderadores como a coparticipação na diminuição do uso indevido do plano, mas sem impedir a utilização adequada”, explica Raquel.

Ondina não precisa pagar coparticipação em seu plano, mas a mensalidade chega a R$ 1.100. “Sei que o valor é muito alto, nem conseguiria pagar sozinha, mas eu não gosto de ir ao médico. Sempre fui assim, é difícil ter essa disciplina”, diz ela, que conta com a ajuda de um familiar para arcar com a despesa do convênio médico.

Reajustes. Apesar de hábitos diferentes, as idosas se preocupam com os periódicos reajustes das mensalidades. “Neste ano, meu plano já teve três aumentos, fora a alta na conta da luz, do condomínio. Felizmente, eu e meu marido temos condições de pagar, mas, como aposentados, fica difícil guardar alguma economia pensando num reajuste maior ainda”, diz Rosa.

Ondina, por outro lado, já pensa na possibilidade de ir para a rede pública. “A gente ganha pouco. Se eu fosse pagar o plano sozinha, minha aposentadoria inteira ia apenas nisso. Se subir demais, vou ter de ir para o SUS.”

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