Estilos rivais em evidência no desfile das campeãs do Rio

O desfile das campeãs do carnaval carioca no sábado, 24, quando as seis escolas de samba mais bem colocadas do Grupo Especial voltaram ao sambódromo, foi uma reavaliação dos estilos rivais no carnaval de 2007: a tradição da Beija-Flor de Nilópolis e da Estação Primeira de Mangueira, ou a inovação da Unidos do Viradouro e da Unidos da Tijuca. O júri escolheu as primeiras, que ficaram respectivamente em primeiro e terceiro lugares. Para o público, porém, houve empate no carnaval de 2007, o de mais alto astral nos últimos anos. Foram dez horas ininterruptas de desfiles, com arquibancadas lotadas e 50 mil pessoas participando intensamente. Às 19 horas, a escola de samba Flor da Idade fez o aquecimento para entrar na Marquês de Sapucaí e, logo depois, Emílio Santiago passou cantando os sambas vencedores. As escolas vieram em seguida, na ordem inversa da classificação: Unidos de Vila Isabel (sexta colocada),Viradouro, Tijuca, Mangueira, Acadêmicos do Grande Rio e Beija-flor (campeã). Na Unidos de Vila Isabel, a comissão de frente era a maior a atração, com macacos acrobatas que viravam seres humanos. A autora da coreografia, a primeira bailarina do Theatro Municipal, Ana Botafogo, porém, não viu o sucesso. Estava gravando as últimas cenas da novela Páginas da Vida, da Rede Globo. O carnavalesco da Viradouro, Paulo Barros, ouviu "é campeão!", assim que pisou na pista e passou o desfile com a saudação. Ele desistiu de ser convencional, como havia ameaçado na quarta-feira de cinzas: "Esse carinho não tem preço. No ano que vem trarei mais novidades ainda." No meio da escola, havia protestos discretos contra as notas baixas, e o público novamente delirou com as evoluções da bateria no carro alegórico e com a ala do futebol, torcendo como numa partida de verdade. A Tijuca, embora prejudicada pelo incêndio de seu abre-alas, recuperou a animação e sua comissão de frente, homens que faziam pose para um fotógrafo lambe-lambe foram os mais aplaudidos. Adriane Galisteu, madrinha da bateria, um show de simpatia e o carro alegórico com a pirâmide que se dissolvia também agradou. A Mangueira trouxe Alcione e Emílio Santiago para ajudarem Luizito a cantar o samba, mas nenhum dos dois pretende repetir a experiência. "Gostei muito, mas não é minha praia", disse Emílio. "Aqui é o espaço dos cantores e compositores da escola", explicou Alcione. Beth Carvalho e Nelson Sargento, indispostos com a verde e rosa, assistiram ao desfile no camarote da Brahma e nem a prisão de uma pessoa na bateria impediu o brilho a escola. A Grande Rio abriu o desfile com Joãosinho Trinta em cadeira de rodas e fechou com Zeca Pagodinho no alto de um carro alegórico. A escola cantava sua terra, o município de Duque de Caxias, da Baixada Fluminense, e superou a destruição de seu carro abre-alas, incendiado na madrugada de terça-feira, ao sair do sambódromo. Veio com um carro novo, tão luxuoso quanto o primeiro, e era das poucas escolas com mulheres famosas e pouco vestidas: a madrinha da bateria, Grazziele Massafera, e as atrizes Deborah Secco e Mônica Carvalho. Apesar de luxuosa e bem organizada, o samba da Grande Rio não empolgou o público. Já a Beija-Flor levantou a massa antes de entrar. Foi só Neguinho da Beija-Flor aparecer para as arquibancadas virem abaixo. O carnaval da escola de Nilópolis ganhou leveza (sem perder o requinte) com Alexandre Louzada na comissão de carnaval, mas sua permanência não está garantida. O presidente de honra, Anis Abraão Davi, o Anísio, disse que a questão, assim como o enredo de 2008, possivelmente sobre o Amapá, deve ser decidida esta semana. Sem celebridades, a não ser o ator Edson Celulari, escondido com seu tamborim na bateria, a Beija-Flor contou com as estrelas de sua comunidade, a porta-bandeira Selminha Sorriso, a mulata Pinah (que desde os anos 90 só desfila nas campeãs) e a madrinha de bateria Raissa de Oliveira.

Agencia Estado,

25 Fevereiro 2007 | 16h46

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