Estou de acordo com Nakano, diz Alckmin sobre corte de gastos

O candidato da coligação PSDB-PFL à Presidência da República, Geraldo Alckmin, defendeu o professor e economista da FGV Yoshiaki Nakano, um dos colaboradores de seu programa econômico, em sabatina promovida nesta quinta-feira pelo jornal Folha de S. Paulo. "Eu estou plenamente de acordo com o professor Nakano", disse o tucano, ao defender a necessidade de cortes de gastos por parte do governo federal. "O Nakano tem toda razão", reiterou.Nakano havia defendido, no último dia 10, em palestra na Fundação Getúlio Vargas (FGV), entre outras coisas, o corte nas despesas correntes em 2007 na ordem de 3% do PIB (R$ 60 bilhões). Em seguida às declarações, o tucano desautorizou o economista.Apesar da defesa que fez do economista, Alckmin evitou citar porcentuais. E disse também que seu eventual governo vai alcançar déficit nominal zero. "A questão é o timing, a gestão ideal é fazer (os cortes) o mais rápido possível", afirmou. Numa crítica ao adversário, o presidente e candidato à reeleição pelo PT, Luiz Inácio Lula da Silva, Alckmin salientou que o governo do PT "conseguiu a proeza de aumentar a carga tributária que já era alta".Imposto de rendaAinda na questão econômica, o tucano voltou a defender redução de impostos e de carga tributária, e prometeu mais uma vez que se for eleito, vai diminuir as alíquotas do imposto de renda, sem, contudo, entrar em detalhes dos porcentuais e da forma como isso poderá ser executado. Alckmin prometeu também reduzir a carga tributária incidente nas tarifas de metrô, ônibus e trem. E disse que, se chegar ao Palácio do Planalto, vai reduzir não apenas os ministérios, mas também toda a estrutura de governo e os cargos "dos companheiros (do governo Lula)". ReeleiçãoO tucano também reafirmou que pretende acabar com a reeleição no País. "Eu acabo com a reeleição e começo dando o meu exemplo pessoal, que é fazer um mandato de quatro anos muito bem feito", destacou, em entrevista coletiva concedida após participar de sabatina realizada pelo jornal Folha de S. Paulo.Alckmin salientou, contudo, que a medida não deverá atingir os prefeitos em mandato e os governadores eleitos nesta legislatura. "Você não muda regra que se já foi estabelecida. Você muda para o futuro", emendou.Indagado se não pretendia mesmo se reeleger em 2010, caso vença este pleito, Alckmin brincou: "Tem dois ansiosos na vida: políticos e jornalistas." E reiterou: "Eu vou fazer um bom mandato em quatro anos."Ainda na entrevista coletiva, Alckmin falou, mais uma vez, sobre o tema privatização. Na sua avaliação, esta pauta foi supervalorizada pela indignação de sua campanha e de seus correligionários, "frente ao conjunto de mentiras que não tem a menor procedência".E negou, novamente, que tenha a intenção de privatizar o Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, a Petrobras e os Correios. Filha na DasluDurante sabatina realizada pela Folha de S. Paulo, Alckmin saiu em defesa de sua família. Questionado sobre o fato de sua filha Sofia ter trabalhado na Daslu, empresa acusada de contrabando e sonegação fiscal, Alckmin destacou: "Minha filha era funcionária (da empresa) e não tem nada a esconder".Em um ataque indireto ao adversário do PT, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, frisou: "Minha filha não é sócia de empresa concessionada", numa alusão às relações profissionais com a Telemar do filho do presidente da República, Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha. Alckmin argumentou que tem 32 anos de vida pública, e nada a esconder. "Meus bens são menores do que os do Lula", argumentou.Ainda na sabatina, Alckmin defendeu a liberdade de imprensa e disse que é contrário a qualquer tipo de tutela aos meios de comunicação. "Prefiro os abusos e exageros da imprensa do que o cerceamento", disse. Este texto foi alterado às 16h41 com inclusão de informação

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