Estragos atingem 40% de Muriaé

Cidade é uma das mais castigadas em MG; 12 mil estão desabrigados

Lauro Moraes, O Estadao de S.Paulo

20 de dezembro de 2008 | 00h00

Depois de sete dias de chuva em Minas Gerais, o cenário é de destruição em Muriaé, uma das cidades mais atingidas na Zona da Mata. O Rio Muriaé chegou a subir mais de dois metros e meio em algumas casas, deixando muita lama e entulho. Móveis ficaram espalhados pelas ruas, levados pela força da correnteza. Tão logo o nível começou a baixar na madrugada de ontem, os moradores voltaram para fazer a limpeza e contabilizar os prejuízos.Algumas famílias perderam tudo. Jorge Rodrigues Vaz, de 59 anos, conta que não teve tempo de retirar nada. Parte da casa em que morava desabou e a área está condenada pela Defesa Civil. Ele e a mãe foram abrigados por vizinhos. "Não tenho para onde ir, mas para lá também não tem como voltar. Escapamos por milagre", afirmou.De acordo com o último balanço da Defesa Civil de Muriaé, os estragos da enchente afetam cerca de 40% da população. Doze mil a 14 mil pessoas ficaram desalojadas no município e 350 estão em abrigos da prefeitura. A estimativa é de que pelo menos duas mil estejam abrigadas na casa de parentes e vizinhos. "A gente depende dessa ajuda, porque eu nem sei por onde recomeçar", disse Wander Berto, que só salvou o colchão em que está dormindo.Funcionários do município também fazem mutirão para limpar o que a enxurrada deixou para trás. A região da prefeitura, do teatro municipal e da rodoviária, ilhada durante a enchente, só deve ser totalmente liberada hoje. Ainda faltam eletricidade e água potável em alguns bairros, onde o abastecimento é feito por carros-pipa. A BR-356, coberta pela água desde terça-feira, já está liberada. A maior preocupação agora são os deslizamentos. A cidade tem muitas encostas e ainda há risco porque o solo está encharcado. Mais de 400 pessoas, entre bombeiros, funcionários da prefeitura e voluntários, trabalham para retirar famílias destas áreas.Em Ervália, cidade vizinha a Muriaé, quatro pessoas de uma família morreram soterradas. "Tive que sair de casa porque está indo tudo embora", disse a dona da casa, Maria das Graças, abrigada numa escola.O Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil de Muriaé haviam realizado uma campanha para arrecadar água, alimentos, cobertores e colchões para as vítimas de Santa Catarina. Todo o material agora vai ficar no município.A chuva causou estragos em outras cidades da região, como Carangola, Leopoldina e Ponte Nova. Em Manhuaçu, os Bombeiros procuram o corpo do dentista Jorge Bastos, que caiu no Rio Manhuaçu.

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