Estratégia combina visibilidade e redução de riscos

Longe do palanque fácil das máquinas de governo, José Serra e Dilma Rousseff se lançaram a uma blitz de mídia em busca de exposição até que possam formalmente fazer campanha, a partir de 6 de julho.

Cenário: Daniel Bramatti, O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2010 | 00h00

A escolha de programas populares como palco revela uma estratégia de redução de riscos: nesse ambiente, dificilmente eles serão submetidos a perguntas incômodas. Mesmo que não alcancem diretamente grandes audiências, terão a garantia de repercussão em todos os demais meios de comunicação.

Em janeiro, Dilma participou do programa Superpop, apresentado por Luciana Gimenez. A informação mais relevante saída dali foi a de que a então ministra da Casa Civil sabia preparar ovos mexidos. O programa foi assistido por menos de 2% dos telespectadores do horário. Mesmo assim, o encontro foi relatado em mais de 25 mil sites na internet.

A mídia regional tem alcance restrito, mas chega diretamente aos nichos de interesse dos candidatos. Não é gratuita a escolha de Salvador, Recife e João Pessoa para o início de uma ofensiva radiofônica de Serra - é no Nordeste que o tucano registra seus piores índices de intenção de voto.

Nas viagens pelo País, o presidente Lula costuma reservar tempo na agenda para entrevistas a radialistas locais. A transcrição das conversas costuma revelar baixo teor de jornalismo crítico, o que deixa o presidente à vontade para exacerbar os autoelogios. Os candidatos jamais admitirão, mas é esse ambiente que esperam encontrar.

Os riscos, ainda que reduzidos, obviamente existem. Na campanha eleitoral de 2002, quando era uma estrela em ascensão, Ciro Gomes sepultou suas chances de vencer a disputa presidencial em uma quase irrelevante entrevista para uma rádio de Salvador. Foi quando chamou de "burro" um ouvinte que, ao vivo, havia lançado uma provocação ao candidato.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.