Estratégia de Dilma é evitar desgaste com a imprensa

Dilma Rousseff não é simpatizante da proposta de regulação do conteúdo da mídia e acha que o governo enfrenta esse desgaste à toa, porque não soube explicar suas posições. Quando Dilma afirmou, na campanha eleitoral, que o único controle defendido por ela era "o controle remoto", não estava dizendo palavras ao vento.

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

03 de dezembro de 2010 | 00h00

A presidente eleita já avisou ao futuro ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, que não quer saber de brigas com a imprensa e tem horror de que as ações para a chamada "democratização" dos meios de comunicação sejam interpretadas como censura. Na prática, ela quer fortalecer o ministério a ser comandado por Bernardo para se debruçar sobre o Plano Nacional de Banda Larga, que é o seu xodó. Quer, ainda, estudar com cuidado a nova lei de comunicação eletrônica.

Dilma pediu a Bernardo que atue em dobradinha com o chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, para reconstruir pontes com a mídia e desfazer o mal-estar criado nos últimos tempos. "Talvez a melhor alternativa seja a mídia se regulamentar, dizer como vão ser as coisas e regular os excessos", disse Bernardo ao Estado. O certo, em toda essa polêmica, é que as diferenças de estilo entre o presidente Lula e Dilma são evidentes. Ela não tem a mesma intuição política do padrinho, mas prima pelo pragmatismo.

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