Estratégia: mais PF, menos FBI

Polícia brasileira assume a Ameripol em novembro

Rui Nogueira, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

08 de setembro de 2009 | 00h00

A ampliação da capacidade da Polícia Federal em rastrear, vigiar e combater líderes do crime organizado - a começar pelos que têm preferência especial pelo refúgio em território brasileiro - faz parte de uma política estratégica do governo. Além da aliança plena com a Interpol, o Brasil assume em novembro a presidência da Ameripol, a Comunidade de Polícias da América Latina e Caribe.

A PF está sendo incentivada pelo Planalto, sob coordenação do Ministério da Justiça, a ocupar o vácuo deixado principalmente na América do Sul pela repulsa crescente de alguns governos locais à presença de órgãos dos EUA, como o FBI e o DEA - a polícia federal e a organização de combate ao narcotráfico, respectivamente. Isso acontece hoje na Bolívia, Equador, Paraguai e Venezuela.

A Ameripol foi criada em 2007 e tem sede em Bogotá.Mesmo tendo nascido dentro do Plano Colômbia, o programa dos EUA de apoio ao governo colombiano para combater o narcotráfico e a guerrilha das Farc, a presença do Brasil na presidência, coordenando as ações coletivas de inteligência e prevenção no combate ao crime organizado, torna a organização cada vez mais multinacional e fora da órbita dos EUA.

Na visão estratégica do governo brasileiro, disse ao Estado uma fonte do Planalto, quanto mais a Polícia Federal brasileira e as demais policias cooperarem, "menos tentações haverá em matéria de ressurreição das velhas doutrinas de segurança nacional". A meta, acrescentou um assessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é que "essas políticas tenham caráter de segurança pública". A cooperação, disse o assessor, "reparte informações e cria um ambiente de corresponsabilidade no combate ao crime".

O Brasil tem destacado cada vez mais "oficias de ligação", que agem devidamente autorizados e em colaboração com as polícias locais, em países como a Bolívia e o Paraguai. Há também sólida parceria em investigações e programas de combate à corrupção com o FBI, dos EUA.

Um dos instrumentos mais poderosos dessas parcerias, sob a coordenação brasileira, vai se desenvolver a partir do final deste ano, quando entrar em operação o Vant (Veículo Aéreo Não-Tripulado). É um aparelho de tecnologia israelense que será usado na vigilância e coleta de dados nas regiões fronteiriças. Pelo acordo firmado no início deste ano, Israel vai transferir a tecnologia para o Brasil.

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