Estrutura para acompanhar desinternação é falha

A história de Paulo Sérgio Ribeiro não é inédita. Em setembro de 2007, em um caso muito parecido, Ademir Oliveira do Rosário, de 36 anos, foi preso por ter abusado sexualmente e matado os irmãos Francisco Ferreira Oliveira Neto, de 14 anos, e Josenildo José Oliveira, de 13, na Serra da Cantareira, zona norte da capital. Rosário estava em desinternação progressiva do Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico de Franco da Rocha, período no qual os pacientes podem sair para casa, após avaliação técnica feita periodicamente por psiquiatras, psicólogos, assistentes sociais e enfermeiros. O mesmo aconteceu agora com Paulo Sérgio Ribeiro, que, depois de cinco anos detido, deixou o Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico de Franco da Rocha em 16 de maio de 2003 por desinternação condicional. Segundo o psicólogo Antonio de Pádua Serafim, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, o problema não está na lei, mas sim na execução dela. "A desinternação progressiva é usada no mundo todo", diz. "Só que a estrutura às vezes é falha, não têm profissionais em número suficiente para acompanhar o paciente que saiu da internação, o Estado não ajuda a família dele e o sistema público de saúde não tem recursos para tratá-lo."

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