Estudante baleada pode morrer ou ficar tetraplégica

Médicos do Hospital Casa de Portugal informaram que a estudante do primeiro período de enfermagem Luciana Gonçalves de Novaes, de 19 anos, gravemente ferida por um tiro, nesta segunda-feira de manhã, no campus da Universidade Estácio de Sá, no Rio Comprido, corre risco de vida e pode ficar tetraplégica. A bala perfurou a mandíbula pelo lado esquerdo e se alojou na medula.Segundo testemunhas, vários disparos partiram do Morro do Turano, que fica nos fundos da universidade. Um deles atingiu Luciana, que lanchava num dos intervalos das aulas. Ela foi encaminhada para o hospital, na Rua do Bispo, em frente à Estácio de Sá. O funcionário da universidade Marcelo Araújo Matos, de 24 anos, foi ferido por estilhaços nas nádegas e, após ser medicado, foi liberado. As aulas no campus, onde estudam cerca de 12 mil alunos, foram suspensas.A polícia informou que a ação criminosa pode ter sido represália à morte do traficante Adriano Paulino Martins, o Sapinho, de 25 anos, e ao desaparecimento de Fabio Santos da Silva, de 25 anos, e de L., 16, na sexta-feira passada.Em meio à correria dos estudantes, que saíam às pressas do local, moradores do Turano fizeram uma manifestação contra a polícia na porta da universidade, cobrando Justiça. O comandante da Polícia Militar, Renato Hottz, se comprometeu a ajudar as famílias a localizar os parentes, mas considerou o incidente na universidade ?inaceitável?. ?Essa ação é de traficantes. A comunidade do Turano não merece isso.?Ele esteve no local onde Luciana foi baleada e, minutos depois, negou a ação da PM no morro na semana passada. Disse que foi uma briga entre traficantes e que Silva foi encontrado morto no Morro do Salgueiro, na Tijuca, no sábado. Com o objetivo de prender os criminosos que acertaram a estudante, o secretário de Segurança Pública, Anthony Garotinho, determinou que o morro fosse ocupado pela polícia ?por tempo indeterminado?.O secretário pediu também que os comerciantes não fechassem as portas por ordem do tráfico, como ocorreu nesta segunda-feira de manhã nas imediações da Estácio de Sá. Depois do incidente na universidade, policiais civis e militares fizeram uma operação no Turano e apreenderam armas e drogas. Ninguém foi preso.Por volta de 14 horas, quase quatro horas depois de ser internada, Luciana foi transferida para o Hospital Pró-Cardíaco, em Botafogo, na zona sul. Ela respira por aparelhos e seria submetida a uma cirurgia de reconstituição da medula, durante a noite, prevista para durar oito horas. O diretor-médico da Casa de Portugal, Carlos Alberto Chiesa, disse que as chances de a menina andar são pequenas. ?No momento, ela tem muito mais chances de não recuperar os movimentos, inclusive os da musculatura respiratória, mas ainda é prematuro dar uma opinião definitiva.?O chanceler da Estácio de Sá, o ex-senador Artur da Távola, confirmou que a universidade recebeu uma carta de criminosos nesta segunda-feira de manhã, ordenando o fechamento do local, mas que isso ocorreu quando as aulas já haviam começado, por volta das 7 horas. A direção evacuou o campus, mas, antes que todos saíssem, Luciana foi baleada.Ele informou ainda que deve encontrar-se nos próximos dias com o secretário Anthony Garotinho para tratar da segurança no campus. ?Ele (Garotinho) nos deu garantias de segurança, tanto que vamos abrir amanhã (terça-feira) normalmente.? Távola negou que haja disposição da universidade para fechar o campus ou cancelar o turno da noite por causa da violência.O pai da estudante baleada, José Almir de Novaes, esteve na Estácio de Sá. Muito abalado, disse que estava revoltado. ?A gente se sente inútil diante desses bandidos; estou morrendo junto com a minha filha?, desabafou. A estudante de enfermagem Miriam Gomes da Silveira, de 50 anos, que conhecia Luciana, disse que estavam esperando a próxima aula, quando ouviram ?vários tiros?. ?Só vi quando ela estava caída no chão, toda ensangüentada. Foi uma sensação horrível.?Veja o especial:

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