Estudante da UERJ reconhece suposto agressor por fotografias

Aluno de geografia é acusado de estuprar uma colega durante festa ocorrida no câmpus

Clarissa Thomé, O Estado de S. Paulo

23 Maio 2013 | 23h14

A polícia vai intimar um estudante de geografia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), acusado de estuprar uma colega durante festa ocorrida no câmpus da instituição. A jovem, que passou por exame de corpo de delito, esteve na delegacia na tarde desta quinta-feira, 23, e reconheceu por fotografias seu suposto agressor. O rapaz, de 29 anos, também foi reconhecido por um segurança da Uerj. A universidade abriu sindicância para investigar o caso e o aluno foi afastado das atividades acadêmicas por 30 dias.

O episódio ocorreu no último dia 11, durante a festa da engenharia. A jovem, de 21 anos, aluna da pedagogia, havia beijado uma outra colega. O rapaz, então, a abordou. Eles chegaram a trocar beijos, mas a jovem não quis continuar com ele. A aluna conta que foi ao estacionamento, para fazer xixi, quando foi atacada.

À polícia, disse que chegou a haver penetração, mas lutou com o rapaz e conseguiu escapar. De acordo com um investigador, o exame de corpo de delito confirma que ela teve relação sexual e ficou com hematomas típicos de gestos de defesa.

A jovem, muito abatida, esteve na delegacia acompanhada pelo padrasto. “Que tipo de profissional a gente está formando? Que tipo de ser humano? Uma pessoa que não é capaz de lidar com a frustração. Não é não. Ele tem que aprender a ouvir não. Tem que ser punido pelo que fez”, afirmou o padrasto da jovem, que está sob acompanhamento psicológico. “A família não está preocupada com a sexualidade dela. Por que esse rapaz tem que se incomodar se ela beija outra menina?”.

Depois de escapar do agressor, a jovem pediu ajuda a outros estudantes. Revoltados, eles bateram no aluno acusado de estupro. O jovem não registrou queixa da agressão na 18.ª Delegacia de Polícia (Praça da Bandeira), que investiga o episódio.

Em nota, a reitoria da Uerj informou que a sindicância – a cargo de uma comissão formada por mulheres – terá 30 dias para apurar tanto o estupro quanto a agressão ao rapaz. “Caso seja comprovada a sua responsabilidade, ele será desligado sumariamente dos quadros da Uerj, resguardado o seu direito de defesa e contraprova”, informou a nota, assinada pelo reitor Ricardo Vieiralves.

“A reitoria da Uerj manifesta sua profunda tristeza e pesar por esta situação. Todos esses atos de barbárie foram cometidos por estudantes da Uerj. Atos de violência contra mulheres, linchamentos, racismo, homofobia não são toleráveis nem podem ter qualquer espécie de complacência ou de justificativa. Devem, sim, ser execrados, desprezados e punidos de maneira exemplar”, escreveu o reitor, que também proibiu festas no câmpus.

Sobre as providências tomadas pela instituição, o padrasto da jovem criticou o fato de haver poucos seguranças no momento da comemoração. “Eram 600 alunos numa festa e quatro ou seis seguranças. Não é o caso de proibir a festa, mas de garantir a segurança dos alunos”, afirmou.

Alunos também criticaram a proibição das festas. “Não precisa ter festa para acontecer algo assim. A universidade tem locais inóspitos, todo mundo tem acesso. Tem que ter mais policiamento”, defendeu a estudante de história, Nathália Santos, de 18 anos.

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