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Estudante de 14 anos morta por bala perdida é enterrada no Rio

Durante os confrontos na Vila Cruzeiro nesta quarta, 24, jovem foi atingida no peito dentro de casa

Bruno Boghossian, O Estado de S. Paulo

25 de novembro de 2010 | 18h15

RIO - Sob o barulho do tiroteio entre policiais e traficantes na Vila Cruzeiro, foi sepultado nesta quinta-feira, 25, à tarde o corpo da estudante Rosângela Barbosa Alves, de 14 anos, morta com um tiro no peito durante o confronto de quarta-feira na favela. Cerca de 25 pessoas foram ao Cemitério de Inhaúma acompanhar o velório e o enterro e se solidarizar com a família.

 

"A dor é muito forte. Acho que ainda caiu a ficha de que perdi minha filha. Era uma garota pacata. É preciso que as pessoas entendam que a favela não tem só bandido, tem muita gente boa", desabafou Roberto Alves, o pai da adolescente, com lágrimas nos olhos, lembrando que havia se esforçado para juntar dinheiro para comprar o computador que a garota usava quando morreu.

 

A menina estava perto da janela de casa quando foi atingida. Segundo o pai, o tiro teria partido de policiais. "Agora eu quero justiça. E quero que isso não aconteça novamente com pessoas boas. Não quero nenhuma indenização do governo. Queria era a vida da minha filha, mas sei que isso não é mais possível", lamentou Alves.

 

Durante o velório e o enterro, a mãe da menina, Tereza Cristina Cesar Barbosa, teve de ser amparada. Ela e Roberto têm outros cinco filhos, sendo que um deles, de 8 anos, também estava em casa e foi atingido de raspão na barriga. "Eu quase perdi dois filhos ontem (anteontem). Criar sua família numa situação como essa é muito difícil. Vou fazer de tudo para sair de lá."

 

Moradores da Vila Cruzeiro, Roberto e sua família disseram estar acostumados com trocas de tiros, mas nunca tinham sofrido as consequências da violência antes.

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