Estudante de Sorocaba seqüestrada há três meses é libertada em Mauá

A estudante Maureen Cristina Jamas, de 22 anos, foi libertada do cativeiro, na cidade de Mauá na Grande São Paulo, na madrugada de hoje, depois de ficar 90 dias em poder dos seqüestradores. Maureen, filha do proprietário de uma distribuidora de combustíveis e sobrinha do secretário de Edificações e Urbanismo de Sorocaba, José Antônio Bolina, foi seqüestrada no dia 9 de março quando saía de uma casa noturna na zona norte da cidade. Ela foi levada em seu próprio carro, um Audi A3, com duas amigas. As duas garotas foram libertadas na Rodovia Castelo Branco, no município de São Roque e o carro abandonado perto de Sorocaba.Nos contatos com a família, os seqüestradores pediram inicialmente R$ 5 milhões de resgate, depois baixaram para R$ 3milhões. O dinheiro não chegou a ser entregue. Quatro homensenvolvidos no seqüestro foram presos.O estouro do cativeiro foi feito por policiais da Delegacia Anti-Seqüestro (Deas) de São Paulo, em conjunto com a Polícia Civil de Sorocaba e do Rio de Janeiro. O caso vinha sendo acompanhado pela Deas desde o dia do seqüestro. As ligações para a casa da família, em Sorocaba, estavam sendo monitoradas. Alguns telefonemas foram feitos do Rio de Janeiro. Os policiais do Rio prenderam dois acusados, que assumiram fazer parte da quadrilha e forneceram a localização do cativeiro, um sobrado da Rua Peter Flor, em Mauá. No local, a polícia prendeu o carcereiro da estudante. O outro integrante foi preso em Ribeirão Pires, também na Grande São Paulo. Ação DecisivaO chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, delegado Zaqueu Teixeira, classificou como ?decisiva? a articulação entre as policias do Rio e de São Paulo para a libertação de Maureen. ?Se as polícias não estivessem articuladas, se não houvesse integração entre os sistemas, esses criminosos estariam soltos?, afirmou. A polícia fluminense entrou no caso há 40 dias, quando a polícia paulista descobriu que os seqüestradores passaram a fazer contatos com a família a partir do Rio de Janeiro, numa tentativa de dificultar asinvestigações.Os seqüestradores Sérgio Batista Araújo Filho, o Sérgio Negão, de 34 anos, e Emerson dos Santos, de 29 anos, foram presos por policiais da Divisão Anti-Seqüestro (DAS), quando falavam num telefone público na Rua Redentor, em Ipanema, na zona sul. Eles negociavam com a família de Maureen. A polícia paulista localizou a ligação e avisou a DAS, que prendeu os seqüestradores.Eles estavam hospedados num hotel do Flamengo, na zona sul, e usavam um Golf, de propriedade de Mauro Jorge da Silva, preso em São Paulo há uma semana por roubo a carro-forte. Há 40 dias, os dois vinham ao Rio para negociar. Eles fizeram ligações das zonas sul, norte e oeste e chegaram a usar telefones celulares. A quadrilha também havia feito ligações do Espírito Santo ? Sérgio Negão é acusado de participar do seqüestro de Mário Augusto Favarato Ruy, sobrinho do governador capixaba, José Ignácio Ferreira.Cinco policiais da DAS viajaram a São Paulo com os doisseqüestradores, que indicaram o possível local do cativeiro. ?Nãotínhamos ninguém em cativeiro, não havia nenhum carioca envolvida, mas a responsabilidade pública é maior que a jurisdição, é a responsabilidade com a vida humana?, afirmou Teixeira.AmeaçasO pai da estudante é dono da distribuidora de combustíveis C.J. Distribuidora de Petróleo, com sede em Sorocaba detentora da bandeira Ruff. Ele tem outros três filhos. Além de ligações telefônicas, a família recebeu uma carta contendo ameaças. No início, os familiares duvidaram que os contatos tinham partido dos reais seqüestradores.Eles, então, fizeram revelações que só a garota conhecia. O primeiro pedido de resgate foi de R$ 5 milhões, quantia muito acima das possibilidades da família. O valor foi baixado para R$ 3 milhões. O pai da jovem havia se disposto a pagar pela liberdade da filha, mas a polícia assumiu totalmente as negociações.FeijãoA estudante Maureen emagreceu 20 quilos durante os 90 dias de cativeiro. Segundo o relato de familiares, no primeiro mês do seqüestro ela entrou em estado de depressão e não conseguia se alimentar. A garota chorava muito e comia, no máximo, bolachas. Os seqüestradores chegaram a forçá-la a ingerir alimentos, pois temiam que ficasse doente. Maureen contou que aprendeu a comer até feijão, alimento que normalmente não consumia. No início, sofreu muita pressão psicológica e ameaças, mas nenhum tipo de violência física. Ela se lembra de ter mudado de seis a sete vezes de cativeiro.Quando foi libertada, estava pronta para mais uma mudança. Maureen vestia roupas cedidas pelos seqüestradores. Ao rever o pai, o empresário Carlos Jamas, entrou em estado de choque. Um médico visitou-a hoje na casa da família, na Vila Hortência, em Sorocaba, recomendando descanso e alimentação. Os familiares não quiseram dar entrevistas. Um amigo que visitou a garota disse que ela estava muito fragilizada física e emocionalmente.

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