Estudante é morto com 13 tiros em São Paulo

Treze tiros, pelo menos dez na cabeça, mataram na noite de segunda-feira o estudante Marcos Cardoso de Melo, de 18 anos, a poucos metros da escola Castro Alves, no Grajaú, zona sul da capital paulista. Ele havia acabado de deixar o colégio, às 23 horas, e estava a caminho de casa, na Rua Marcos Antônio dos Santos, quando foi atingido. O local do crime está a 500 metros da escola e a 100 metros da casa de Marcos. Hoje, as marcas de sangue no asfalto ilustravam a intensidade da violência.A região do Grajaú tem um histórico de crimes e medo. Perto da escola onde Marcos estudava, outro rapaz foi assassinado há um mês. Na área do 101º Distrito Policial, onde o caso foi registrado, já são 11 homicídios em junho. A polícia não tem pistas dos assassinos nem sabe o motivo do crime.Além de estudar, Marcos era auxiliar de escritório na transportadora de uma irmã e, nos fins de semana, fazia bicos num restaurante. Ele estava namorando e fazia planos de se casar em 2004. Em uma das últimas conversas com a mãe, Creusa, de 56 anos, ele perguntou qual o presente que ela lhe daria de aniversário, no dia 6 de julho. ?Como é duro uma mãe perder um filho, perder matado?, disse Creusa, chorando.Há quase um ano, ela ficou sem outro filho, que morreu afogado.O irmão mais velho de Marcos, Antônio, de 34 anos, disse que o caçula da família não tinha envolvimento com drogas. Para ele, o motivo do assassinato pode ter sido alguma briga. A necropsia realizada pelo Instituto Médico-Legal (IML) indicou que o jovem foi morto com 13 tiros. Antes de o resultado da análise sair, a polícia chegou a relatar que Marcos havia levado entre 20 e 23 tiros, dado não confirmado pelo instituto. O IML informou que essa diferença ocorre porque a necropsia leva em conta apenas o número de balas que entraram no corpo. Os projéteis recolhidos estão sendo analisados pelo Instituto de Criminalística (IC), que vai confirmar o calibre da arma usada pelo assassino de Marcos. A morte do jovem causou espanto e revolta entre parentes, vizinhos e amigos. ?O que está faltando é segurança para os adolescentes?, disse uma vizinha de Marcos. Moradores e funcionários da escola também reclamaram da falta de policiamento. A direção da escola não comentou o caso. Segundo um funcionário, os responsáveis pelo colégio também têm medo. ?Não tem polícia aqui. Esta escola está largada?, afirmou um professor, que não quis identificar-se. Ele disse que a escola conta com uma ronda, mas a presença da polícia só dura cinco minutos. O capitão PM Carlos Antônio de Souza, da 1.ª Companhia do 27.º Batalhão da PM, disse que a reclamação ?não corresponde à realidade?. Segundo ele, as rondas nas escolas ?são constantes?. A Secretaria de Estado da Educação informou que a escola Castro Alves é ?tranqüila? em termos de segurança. Mas pediu à Secretaria da Segurança Pública reforço na ronda escolar na região.

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