EFE
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Estudante levou choque de Taser já algemado

Último disparo foi dado quando brasileiro estava imobilizado no chão e controlado por cinco policiais; para família, abordagem foi um ‘caso de tortura’

Jorge Bechara ,

09 Outubro 2012 | 23h12

SYDNEY - O segundo dia do inquérito sobre a morte do estudante brasileiro Roberto Laudisio Curti, de 21 anos, em Sydney,na Austrália, revelou que ele levou um tiro de Taser quando já estava algemado e controlado no chão por cinco policiais.

Durante perseguição, Curti foi alvo de 14 tiros da arma de eletrochoque da polícia australiana em 18 de março.

Conhecido como Eric, Chin Aun Lim, o policial que deu o último disparo, seguiria depondo nesta terça-feira, 9, no júri em Sydney. Seu depoimento foi o mais tenso até agora e revoltou parentes de Curti que acompanham o inquérito. Domingos Laudisio, tio do estudante, disse ao Estado que "o que aconteceu foi um caso evidente de tortura".

O policial também deu o tiro pelas costas que derrubou o brasileiro. Seus colegas removeram os arames da Taser das costas do estudante (elas se prendem ao alvo) e o viraram. O último disparo, então, atingiu o peito. Eric alega não saber que Curti estava algemado, já que "as mãos dele estavam atrás do corpo".

O advogado da família surpreendeu ao acusar o policial de errar fatalmente: "Você não precisava dar o segundo tiro, precisava?" Eric foi treinado para usar Taser - indicada apenas contra quem oferece risco - quatro semanas antes da ação.

O cônsul brasileiro em Sydney, André Costa, mostrou-se surpreso com a polícia australiana, mas disse que o governo brasileiro "está satisfeito com o andamento do inquérito".

Policiais envolvidos na morte de Curti começaram a depor "sob exceção" - nada do que dizem pode ser usado contra eles.

O supervisor da polícia local no momento da perseguição, sargento Craig Partridge, repetiu pelo rádio que teria havido um "roubo a mão armada". Ele via a ação por câmeras. Mesmo sendo corrigido três vezes, o sargento prosseguiu e não alertou ninguém. "Estava cansado no fim de um turno de 12 horas de trabalho", justificou.

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