Estudante que atropelou 2 e matou 1 das vítimas é liberado

Paulo César Carneiro é acusado de arremessar o carro intencionalmente

Elvis Pereira, O Estadao de S.Paulo

06 Agosto 2009 | 00h00

A apresentação e posterior liberação do acusado de atropelar e matar Rafael Gomes de Freitas e ferir Vinícius Elias Mauri, ambos de 22 anos, frustrou a família das vítimas. Acompanhado de dois advogados e com a liminar que revogou a sua prisão temporária, o estudante Paulo César Oliveira Carneiro, de 19 anos, depôs na noite de anteontem e negou a intenção de atropelar os jovens, em 30 de maio, na zona sul de São Paulo. O desembargador Pedro Luiz Aguirre Menin, da 16ª Câmara de Direito Criminal da capital, considerou a concessão da liminar como a melhor solução para que o suspeito se apresentasse à polícia. Carneiro foi ouvido no 99º Distrito Policial (Campo Grande) por quase duas horas. Segundo o escrivão Nilton Tomaz, o rapaz contou que no dia do acidente havia saído da faculdade com a intenção de "extravasar". Ele passou numa casa noturna na Avenida Robert Kennedy e seguiu para a Rua Olavo Bilac, Vila Sofia, onde um travesti entrou no seu Corsa. Carneiro contou que desistiu do programa ao notar que se tratava de travesti, que teria ficado nervoso e, com a ajuda de um colega, quebrou o para-brisa e amassou o capô do veículo. A versão do travesti à polícia, no entanto, é de que reagiu por não receber os R$ 50 cobrados pelo suposto programa.Questionado sobre as três vezes em que atravessou o cruzamento das Ruas Olavo Bilac e Doutor Ferreira Lopes, Carneiro confirmou duas, segundo o escrivão. Na primeira, passou devagar. Na segunda, acelerou ao ver um travesti conversando com um motoqueiro. Nesse momento, diz ter sentido o impacto e que não viu os dois jovens. O relato diverge do registrado por câmeras de segurança. Na primeira vez, ele aparece conversando com uma mulher do grupo no qual estavam as vítimas. Em relação ao momento em que trafega pela rua após o atropelamento, como mostram as câmeras, Carneiro alegou que estava perdido. O estudante foi liberado, mas vai responder por homicídio e tentativa de homicídio dolosos (quando há intenção). O relato seguirá ao Ministério Público. A defesa de Carneiro não foi localizada pela reportagem. INDIGNAÇÃO"As evidências são enormes, ele tinha de estar preso", disse o pai de Rafael, o contador Cláudio Freitas, de 50 anos. "Fiquei perplexo. Isso (a decisão da Justiça) só serve de mau exemplo", afirmou. "É revoltante. Será que ele não estaria foragido até hoje se não tivesse o habeas corpus?", pergunta Karen Melo, de 22 anos, ex-namorada de Rafael. O filho de Rafael e Karen nasceu no mês passado.Vinicius Mauri, de 22 anos, está há 68 dias internado no Hospital Santa Marina. Segundo a mãe Irene Elias Mauri, ele mexe um braço e reage. "Estão tratando (o atropelamento) como algo banal, mas não é."

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