Thaise Constancio/Estadão
Thaise Constancio/Estadão

Estudante que caiu da Ponte Rio-Niterói recebe alta do hospital

Marina Borges Pinto, de 22 anos, capotou oito vezes, bateu na mureta central da ponte, caiu de uma altura de mais de 50 metros direto na água e não teve nenhuma lesão grave

Thaise Constancio, O Estado de S. Paulo

13 de março de 2014 | 14h37

RIO - Ela capotou oito vezes, bateu na mureta central da Ponte Rio-Niterói, caiu de uma altura de mais de 50 metros direto na água e não teve nenhuma lesão grave. Parece história de cinema, mas aconteceu com Marina Borges Pinto, de 22 anos,  na manhã de 3 de março, plena segunda-feira de Carnaval. Única sobrevivente de uma queda da Ponte Rio-Niterói, a estudante de Engenharia de Produção teve alta do Hospital Pasteur, no Méier, na manhã desta quinta-feira, 13.

"A ficha (sobre o acidente) ainda não caiu. Não fiquei com trauma de dirigir ou passar na ponte de novo", disse Marina, emocionada. "Aconteceu uma fatalidade, mas graças a Deus estou viva, sem sequelas - que é o mais importante -, e vou continuar a vida do jeito que era antes. Por ter sobrevivido, acho que tenho uma missão na terra e vou buscar esse propósito. "

A estudante tem apenas flashes do acidente, que aconteceu quando ela dirigia de São Gonçalo, na região metropolitana do Rio, para o trabalho, em Olaria, na zona norte. Ela lembra que precisou desviar de um carro que freou na sua frente. "Acho que virei o volante bruscamente, bati e tudo aconteceu. Não tinha noção de que o carro estava caindo na água, porque, para mim, ainda estava rodando. Só vi a água quando o carro parou de rodar e meu reflexo foi mergulhar." Ela sabe que o airbag foi acionado com a batida, mas não lembra como conseguiu se livrar do cinto de segurança e sair sozinha do carro.

Marina lembra de ver um funcionário da concessionária CCR Ponte sinalizando que ia socorrê-la. "Tentei nadar até uma pilastra, mas não tinha forças e a correnteza estava muito forte, então decidi boiar até alguém chegar para me salvar."

No hospital. Depois do resgate, a jovem foi levada para o Hospital Municipal Souza Aguiar, no centro, onde passou por uma cirurgia para retirar o baço. Segundo Pablo Quesado, coordenador da Clínica Médica do Pasteur, para onde Marina foi levada após a operação, "é perfeitamente possível e normal viver sem baço". Na fase adulta, explica, o órgão tem apenas função imunológica, que pode ser substituída por vacinas.

Quesad destacou que a jovem poderia ter sofrido uma série de lesões graves em decorrência da freada brusca, dos capotamentos, da colisão com a mureta e até da queda na água, cujo impacto é similar a colisão em uma superfície de concreto. "Mesmo com isso tudo, ela não sofreu danos neurológicos e esse foi o primeiro milagre. Ela não teve nenhum trauma perfurante, que seria comum nesse tipo de acidente", avaliou o médico.

Além da ruptura do baço, ela teve uma leve lesão pulmonar, hematomas no fígado, na perna e no braço esquerdos. Após o período no hospital, ela fará duas semanas de repouso em casa, ao lado dos pais e dos três irmãos. "Ela estará cerca de amor, como sempre esteve", comemorou a mãe Silvia Cristina Silva, de 54 anos.

Depois do susto, alguns amigos alertaram Marina sobre as coincidências de sua vida. "Meu aniversário é em 6/6 e o acidente foi em 3/3. Então, eles me disseram para não sair de casa nos dias 9/9 e 12/12", brincou.

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