Estudante que levou assassino à casa de Glauco reafirma que foi vítima

Em entrevista ao 'Jornal Nacional', jovem que dirigia veículo diz ter sido sequestrado por Carlos Eduardo; 'Não tenho nada a ver com isso'

Maíra Teixeira, da Central de Notícias

16 de março de 2010 | 21h38

Em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, nesta terça-feira, 16, o estudante Felipe de Oliveira de Iasi, de 23 anos, disse que foi atraído pelo amigo Carlos Eduardo Sundfeld Nunes (Cadu), de 25 anos, à cena do crime que resultou na morte do cartunista Glauco Villas-Bôas, de 53 anos, e de seu filho Raoni, de 25 anos. Ele afirmou estar com a "consciência limpa" por não ter participado de nada. "A verdade vai aparecer", ressaltou.

 

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Segundo contou, Felipe disse que foi convidado por Cadu para sair e fumar um cigarro de maconha. "Ele disse: você não quer dar uma saída, uma espairecida? Fumar um cigarro de maconha? Eu pensei: tô aqui, com a cabeça cheia de coisa. E falei, vou dar uma espairecida! Vou fumar um cigarro de maconha!"

 

Já no carro ele disse que foi ameaçado pelo amigo. "Ele apontou a arma para a minha barriga, falando para eu ficar quieto, que isso era um sequestro." Em seguida, teria obrigado Felipe a levar o carro para a casa de Glauco. Ao chegar à casa, rendeu a enteada Juliana e entrou. Segundo Felipe, Cadu apontava a arma o tempo todo "para nós dois" (para Felipe e Juliana).

 

Depois de fazer ele e a família refém, Felipe afirmou que Cadu estava nervoso. "E o Cadu nervoso, apontando a arma para a minha cabeça. Nesse momento, eu estava sentado no sofá. Minha reação foi fazer assim (abaixar a cabeça e levantar as mãos em sinal de não-reação), eu não tenho nada a ver com isso."

 

O estudante rebateu as informações dada pela viúva de Glauco, Beatriz Galvão, após ser questionado se não podia ter ajudado."E o que ela queria que eu fizesse? Entrasse de peito aberto, na frente e falasse: Não faz nada!? Eu também não sabia do que ele era capaz", contesta. Felipe disse que na oportunidade que teve, e julgou segura, fugiu do local. "Eu não estava sob a mira do revólver e não estava sob a mira da discussão. Eu senti confiança que eles não estavam me olhando. Saí pela porta, entrei no meu carro e fui embora pela estrada de terra o mais rápido possível."

 

Ao ser questionado sobre o porquê de não ter chamado a polícia ele explicou. "Eu estava com tanto medo, a única coisa que eu queria era chegar em casa. Eu não sabia se ele percebeu que eu fugi, se estava atrás de mim, para me pegar. Cheguei em casa, dormi e acordei umas 10h e vi na internet que os dois tinham morrido."

 

Sobre sua parcela de contribuição no crime, Felipe se disse inocente. "Eu fugi de lá sem ouvir nada. Eu não sabia o que tinha acontecido com aquela família. Eu sou uma vítima da história e vou provar."

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