Estudantes elegem 1º rei da bateria do carnaval de São Paulo

O primeiro rei da bateria na história do carnaval paulista não vai estar, pelo menos de faixa no peito, no sambódromo. Daniel tem 1,85 metro e 81 quilos e é o primeiro a fazer parte da corte a frente da bateria. Ele desfilará no dia 11, às 18 horas, no Memorial da América Latina, durante o Pholia 2007, no primeiro ano da Acadêmicos de São Paulo, uma escola recém fundada por estudantes, pesquisadores, professores e ex-alunos de diversas universidades, principalmente da USP, que ainda não é associada a União das Escolas de Samba de São Paulo (Uesp). Coreógrafo, dançarino, modelo, veterinário e professor de ginástica e dança, Daniel Manzioni - o nome real termina com ?e?, mas há quatro anos, depois de fazer numerologia, decidiu mudar a vogal - tem 31 anos e é dono de uma academia na Praça da Árvore, zona sul da capital paulista. No desfile, entrará junto com a madrinha da bateria, sua amiga a atriz Rosi Campos. Feliz com a majestade recebida, Daniel já desfila há dez anos com passista em diversas escolas de São Paulo. ?Quando tinha seis anos eu já acompanhava os desfiles pela televisão?, conta. E ficava dando os primeiros passinhos. Foi graças ao samba no pé que Dennis Albert, um dos fundadores e o pioneiro da Acadêmicos de São Paulo, observou Daniel, quando exibia seus dotes pela Acadêmicos do Tucuruvi. O remelexo, garante o rei, é autodidata. Mas por anos, Daniel fez - e agora ensina - dança de salão, dança egípcia e, sua especialidade, axé. Mais caseiro ultimamente, o canceriano joga um balde de água fria em quem sonhava com uma casquinha: namora há um ano. Só não conta o nome da felizarda. ?Ela pediu.? Cansado das baladas - você pode ter visto ele em alguma da Vila Olímpia - o dançarino ainda prefere o som dance music e black music. ?Mas sou eclético.? A preferida mesmo é Mariah Carey. Na mesa, Daniel gosta de massas, típico de um descendente de italiano, e comida japonesa. Para não fazer feio no Memorial - até porque ele vai estar de sunga, o dançarino tem cuidado bem do corpo: malhação uma hora por dia, todos os dias (além das aulas de dança); bronzeamento artificial duas vezes por semana; nada de cigarro, refrigerante ou bebida alcoólica. Você se acha bonito? ?Bonito, sim. Não me acho lindo?, responde. A mãe, dona Regina, de 65 anos, é mais sincera. ?É narciso.? Além da Acadêmicos, ele sai também na Leandro de Itaquera, como destaque no chão, na Verde e Branco, como destaque no 3º carro, e na Acadêmicos de Santa Cruz, no Rio, como destaque no 4º carro. Formado veterinário em 1997 pela Unip, o rapaz chegou a atuar na área por dois anos, quando abandonou a carreira para cuidar da academia de musculação e ginástica, uma sociedade com uma irmã e sua mãe. O sonho, quando adolescente, era mesmo ser modelo. Chegou a fazer comerciais, eventos e alguns desfiles, mas desistiu. ?É muito competitivo. Hoje batalho na minha carreira de dança?, afirma. Ator, não? ?Ainda não estou preparado.? O reinado cedido a Daniel é polêmico. A cantora Leci Brandão garante que não é a primeira vez que se tem um Rei da Bateria, pelo menos no Rio. Em São Paulo, Seu Nenê, da Nenê da Vila Matilde, garante que é novidade, mas acha desnecessário isso. Dennis Albert, um dos fundadores da Acadêmicos de São Paulo e estudioso da área, garante que, em São Paulo, é o primeiro a receber a faixa. Ele explica ainda que os ritmistas não aceitam um rei, como também é raro encontrar mulheres em meio as baterias. ?O que tinha eram passistas de ouro?, afirma.

Agencia Estado,

02 Fevereiro 2007 | 22h31

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