Estudantes vão às ruas na 3ª contra aumento no transporte

Depois do confronto com a Polícia Militar, na noite de sexta-feira, no Terminal D. Pedro II, no Centro de São Paulo, os estudantes prometem outra manifestação na terça-feira, contra o aumento da tarifa do transporte público. O reajuste do ônibus, que passará de R$ 2,00 para R$ 2,30, e do trem da CPTM e do metrô, de R$ 2,10 para R$ 2,30, está previsto para vigorar a partir da quinta-feira, dia 30.Numa reunião no sábado, lideranças do movimento estudantil decidiram que vão sair às ruas para protestar na terça-feira, a partir das 9 horas. Os manifestantes se reunirão no Masp, na Avenida Paulista, seguindo até ao gabinete do prefeito Gilberto Kassab, no Viaduto do Chá.Os estudantes que se reuniram no sábado na sede das entidades, na Capital paulista, deram um nome para a manifestação - ´O levante do Busão!´ - que fazem desde quinta-feira para atrair a atenção da população. Dados do movimento apontam que nos últimos 12 anos o passe do transporte urbano de São Paulo aumentou 400%, enquanto o salário, 120%.´A mobilização vai continuar´, garantiu o presidente da União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes), Thiago Franco. ´Não vamos parar até barrar o reajuste.´ Durante a assembléia também ficou definido que haverá, além da grande manifestação de terça-feira, movimentos descentralizados na segunda, nas portas de escolas públicas.A Ubes, juntamente com a União Nacional dos Estudantes (UNE), União Estadual dos Estudantes (UEE) e União Paulista dos Estudantes Secundaristas (Upes), entra na segunda com uma ação civil pública contra a Prefeitura por causa do reajuste. ´Vamos questionar a planilha de custos da SPTrans´, disse Franco. Segundo ele, 40% da evasão de alunos nas salas de aula se dá por falta de acesso ao transporte público.Outro motivo que levam os estudantes às ruas é o fato de o governo municipal ´culpar´, em parte, o aumento por causa do passe estudantil. A manifestação de sexta-feira à noite, no Parque Dom Pedro II, na qual duas pessoas foram detidas, não foi comentada durante a assembléia.SindicalistasA Central Única dos Trabalhadores de São Paulo (CUT-SP) programou para segunda uma reunião com representantes de movimentos sociais, entre eles a UNE, para discutir maneiras de evitar o aumento das tarifas. Uma das estratégias será entrar na Justiça com uma ação oficial para que os preços das passagens continuem os mesmos. A CUT ainda informa que na terça-feira os sindicalistas vão participar com os estudantes do protesto em frente à Prefeitura, para pressionar um encontro com o prefeito Gilberto Kassab.ViolênciaO estudante de sociologia Cristian Alejando Cataldo Santander, de 26 anos, foi um dos últimos a permanecer na manifestação contra o aumento da passagem de ônibus e metrô em São Paulo, que ocorreu na sexta-feira e terminou em confronto com a Polícia Militar no Terminal Parque D. Pedro II, Centro.Cristian foi também um dos que mais apanharam. ´A manifestação era pacífica e a polícia não avisou que iria usar a força para forçar o fim do protesto. De repente começaram a atirar balas de borracha e gás lacrimogêneo e de efeito moral em todo o mundo´, alega.De acordo com o estudante, um policial deu uma chave de braço nele e, em seguida, quatro outros PMs começaram a agredi-lo. Ele teve o braço direito deslocado, levou três tiros de balas de borracha e foi agredido com cassetetes.Algemado, Cristian foi levado ao Hospital do Servidor Público de São Paulo, na Zona Sul, onde permaneceu até as 2h. Em seguida, foi encaminhado ao 1º DP - Sé, na região central, e às 5h30 ao Instituto Médico Legal, onde fez exame de corpo de delito. ´Na entrada do hospital, os policiais pegaram a minha carteira e o meu RG desapareceu´, conta Cristinan indignado.O pai do estudante, Nelson Alejandro Santander, de 50 anos, ficou nervoso com a ironia dos policiais. Ele também foi preso por desacato e resistência à prisão e levado ao 5º DP - Aclimação, na Zona Sul. Cristian e seu pai pretendem agora abrir um inquérito por abuso de poder contra os policiais que executaram as prisões.O estudante alega que as marcas em seu corpo, proveniente da agressão dos policiais, são típicas de tortura e que ele não teve chance de defesa. Além disso, Cristian corre o risco de não conseguir obter seu diploma de sociólogo pela Escola de Sociologia e Política de São Paulo. Ele teria de entregar sua tese de graduação até 14 de dezembro, mas está com o braço direito imobilizado por conta da agressão sofrida.

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