Estudo aponta inviabilidade da construção do trem-bala Rio-SP

Deputados federais encomendaram análise; ministro dos Transportes diz que governo já decidiu pela construção

25 de janeiro de 2008 | 04h20

Um estudo realizado por uma consultoria técnica aponta a inviabilidade da construção do trem-bala Rio-SP, projeto incluído pelo executivo no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A análise foi feita a pedido da Câmara dos Deputados Federais. Segundo o Jornal da Globo, o consultor legislativo Eduardo Fernandes analisou os três projetos de empresas interessadas na obra. O governo usa como referência o da italiana Italplan, que estima uma demanda de até 32 milhões de usuários em 2012, o que tornaria rentável o negócio para a iniciativa privada. Fernandes afirma, porém, que no ano passado, somando avião, ônibus e automóvel, viajaram entre Rio e São Paulo oito milhões pessoas. Desde modo, o volume de passageiros teria que quadruplicar e todos os passageiros teriam de usar somente o trem para que a demanda fosse alcançada. O estudo diz ainda que o parecer da empresa italiana garantindo ao governo que o empreendimento pagaria mais de US$ 73 bi de impostos ao longo da concessão de 42 anos não tem uma base segura. "Nós teremos um canteiro de obras paralisadas por muitos anos. Provavelmente por mais tempo do que aconteceu na Itália, onde o primeiro projeto de trem-bala deles, que estava previsto para ser construído em sete anos, demorou mais de vinte", disse Eduardo Fernandes. O Ministério dos Transportes estima que a construção do trem-bala custaria R$ 11 bi, começando em 2010, com término previsto para 2015. Ao preço de US$ 60 a passagem - cerca de R$ 106 - ele faria o percurso entre as duas capitais em 85 minutos. Numa segunda etapa, de São Paulo a Campinas, seriam mais 25 minutos. No total, 518 quilômetros de linha. O ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, diz que qualquer estimativa sobre o trem-bala agora é precipitada. Mas afirma que o governo já se decidiu pela construção. "O trem-bala vai ser construído, é uma decisão do governo e por isso foi colocado no PAC", disse o ministro. Para o professor da Universidade de Brasília e especialista em transportes, Joaquim Aragão, a construção do trem-bala é viável desde que se monte uma infra-estrutura que incentive o vai e vem de passageiros.

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