Estudo para pista em Cotia já está pronto

Área prevista fica ao lado de reserva de mata atlântica

Adriana Carranca, O Estadao de S.Paulo

25 de janeiro de 2008 | 00h00

Um dos quatro locais para a construção do terceiro aeroporto de grande porte em São Paulo, mantido sob sigilo pelo governo federal, mas já com projeto pronto e estudos em estágio avançado, fica a 45 quilômetros do centro de São Paulo, no distrito de Caucaia do Alto, em Cotia. Uma linha de metrô, subterrânea ou de superfície, seria construída ao longo da lateral da Rodovia Raposo Tavares e ligaria o novo aeroporto à futura Estação Butantã, da Linha 4, entre as quais haveria outras duas paradas: uma entre os km 21 e 25 da Raposo e outra no município de Cotia. O projeto está em sigilo não apenas para evitar especulação imobiliária, mas para manter distantes os ambientalistas. A área, que fica na altura do km 39 da Raposo e distante outros 5 quilômetros da estrada na direção de Caucaia do Alto, fica ao lado da Reserva Florestal do Morro Grande, uma das últimas de mata atlântica da Grande São Paulo. Em 1977, uma área de 60 km² chegou a ser desapropriada por decreto, no local, para abrigar o aeroporto internacional, depois construído em Guarulhos, por pressão de ambientalistas. Na época, o Aeroporto de Viracopos também foi cogitado, mas descartado por estar mais longe do centro de São Paulo. No caso de Caucaia do Alto, naquela ocasião, parte da reserva teria de ser desmatada. Cerca de 70 entidades ambientalistas e donos de chácaras formaram uma comissão de Defesa do Patrimônio da Comunidade, que conseguiu impedir o avanço das obras, mesmo sob promessa do governo federal de que a região seria reflorestada. Embora seja praticamente no mesmo local, o novo projeto não prevê desmatamentos dentro da reserva. Se for aprovado, o novo aeroporto ocuparia, principalmente, terrenos utilizados por hortifrutigranjeiros do chamado Cinturão Verde, que abastecem a Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp). Mas o distrito de Caucaia do Alto é também utilizado por aventureiros que percorrem trilhas a pé e de bicicleta. E que devem engrossar o coro dos descontentes com o novo aeroporto. Outro problema apontado no local é a constante incidência de forte neblina.Se escolher o local para a construção do novo aeroporto, o governo federal não encontrará, no entanto, somente opositores. "Um aeroporto em Caucaia do Alto seria sensacional, porque fica na zona sul, onde estão os negócios, a região mais pujante de São Paulo economicamente", diz o vice-presidente executivo da Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag), Adalberto Febeliano. Segundo ele, a opção por Guarulhos, na década de 1970, foi um erro. "Se tivesse optado por Caucaia do Alto, teríamos hoje uma base aérea para erguer um novo aeroporto. Além disso, a distância daquela região para o centro está dentro do padrão internacional, que é de 30 a 40 quilômetros." Ele não vê, como alternativa, a ampliação de Viracopos. "Eu abomino a idéia de expandir o Aeroporto de Viracopos. Não existe no mundo exemplo de aeroportos urbanos tão distantes do centro da cidade", diz Febeliano.

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