Estudo vê boom do 'coronelismo eletrônico'

Estudo dos professores Venício Lima e Cristiano Aguiar Lopes da Universidade de Brasília aponta o que eles batizaram de "neocoronelismo eletrônico". Trata-se do interesse crescente pelas rádios comunitárias. As concessões dependem de padrinhos políticos para aprovação da outorga no Ministério das Comunicação e para acelerar a votação no Congresso.

, O Estadao de S.Paulo

15 de março de 2010 | 00h00

"Na esmagadora maioria das vezes, o político profissional responsável pelo apadrinhamento é um parlamentar federal. A atuação de políticos profissionais de nível municipal ou estadual é exceção - eles agem em menos de 5% dos processos aprovados apadrinhados e, usualmente, estão associados a um parlamentar federal", diz o estudo.

Antes da Constituição de 1988, não havia regras claras para a concessão de rádios e TV. Elas eram dadas a bel prazer do governante. De uma certa forma, segundo os professores, o esquema acabou se reproduzindo com as rádios comunitárias, que têm de cumprir uma série de exigências burocráticas para entrar no ar.

"Como o processo de outorga é muito complexo para associações que não têm estrutura, acaba sendo necessário que alguém de Brasília acompanhe e despache por eles. Acaba virando uma relação de troca entre a entidade e o político", afirma Cristiano Aguiar Lopes. / A.P.S. e E.L.

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