"Eu afastei o Zé Dirceu e o Palocci", diz Lula

O presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva admitiu, pela primeira vez, que afastou do governo os ex-ministros José Dirceu (Casa Civil) e Antonio Palocci (Fazenda), por suspeitas de irregularidades. "Eu afastei o Zé Dirceu, afastei o Palocci e outros funcionários envolvidos, afirmou o presidente em entrevista ao Jornal Nacional, da Rede Globo. "E vou continuar afastando".Na saída de Dirceu, acusado do comandar o esquema do mensalão, o governo anunciou que teria sido uma decisão do ex-ministro pedir demissão. Ele deixou ocargo, em junho de 2005, após ter sido acusado pelo então presidente do PTB, Roberto Jefferson, de comandar o esquema de compra de parlamentares em troca de apoio ao governo. "Dirceu, renuncie, sob pena de arrastar consigo o presidente", afirmou Jefferson, num depoimento de mais de seis horas ao Conselho de Ética da Câmara. Dirceu e Jefferson tiveram seus mandatos cassados.Já no caso de Palocci, o hoje candidato a deputado federal chegou a distribuir nota, na qual sua assessoria afirmava que ele estava se afastando até o final das apurações sobre a quebra ilegal do sigilo do caseiro Francenildo dos Santos Costa. Nildo, como é conhecido o caseiro, denunciou às visitas de Palocci à mansão alugada em Brasília pelos lobistas conhecidos hoje como república de Ribeirão Preto e afirmou ter visto dinheiro chegar em malas e ser dividido na casa. Palocci sempre negou que tivesse visitado a mansão.O presidente deu explicações sobre casos de corrupção. Na primeira pergunta, Lula já teve que falar sobre o esquema do mensalão e como fica a questão ética no PT, após a denúncia feita pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, que concluiu que o esquema era operado por uma ?sofisticada organização criminosa? comandada pelo PT e chefiada pelo ex-ministro Dirceu. O presidente lembrou ter indicado o procurador e disse ter total confiança nele. "No meu governo o procurador indicia, porque nos outros engavetava", disse Lula, numa referência a Geraldo Brindeiro, procurador-geral no governo Fernando Henrique. Brindeiro ficou conhecido como "engavetador geral da União".Para Lula, os acusados no esquema do mensalão terão agora que provar a inocência no Supremo Tribunal Federal (STF). Ele acha que o escândalo não "macula" o discurso em defesa da ética do PT, à medida que atinge apenas algumas pessoas do partido. "Lamento profundamente que companheiros tenham feito coisas que ainda serão julgadas pelo Supremo, mas nós facilitamos as investigações, afastamos os pessoas que estavam na alçada da Presidência da República e colaboramos com as CPIs"Embora tenha admitido ser o responsável por qualquer erro cometido por funcionários públicos, o presidente reafirmou que desconhecia os casos de corrupção no seu governo. "Só poderia fazer diferente se soubesse antes", respondeu, ao ser perguntado se tomaria decisões diferentes das que resolveu adotar.Outro assunto abordado foi o pagamento feito, em 2004, por Paulo Okamotto, presidente do Sebrae e amigo pessoal do presidente, de uma dívida de R$ 29,4 mil que Lula tinha com o PT. "Não devo, não pedi dinheiro emprestado, por isso não paguei".Ele voltou a negar que tivesse a dívida com o partido e defendeu o direito de o amigo ter lutado para impedir que CPI dos Bingos quebrasse seu sigilo bancário. "É um direito dele não querer, é um direito de qualquer cidadão", disse. Amanhã isso pode estar acontecendo com a gente e vamos utilizar todos os mecanismos que o Direito nos dá para que possamos nos defender".O presidente disse que se for reeleito pretende dar continuidade dando seqüencia ao que está sendo feito pelo seu governo. O presidente afirmou que a economia vive seu melhor momento - cresce emprego, crescem as exportações". Ao dar continuidade ao seu raciocínio, o presidente trocou a palavra salário por inflação. "A única coisa que cai é o salário", afirmou, para corrigir em seguida.

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