''Eu não negociava contrato'', afirma ex-chefe da Sanasa

Vicente Guillo, que dirigiu abastecimento de água em Campinas, depôs à promotoria e negou ter tratado com empreiteiras

Fausto Macedo, O Estado de S.Paulo

10 Abril 2011 | 00h00

O presidente da Agência Nacional de Águas (ANA) - braço do Ministério do Meio Ambiente -, Vicente Guillo, afirmou ao Ministério Público que jamais negociou com representantes de empresas terceirizadas ou empreiteiras contratadas para obras e serviços da Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento S/A (Sanasa) de Campinas, que presidiu de 2001 a 2003.

Guillo foi ouvido na sexta-feira por promotores do Gaeco, núcleo do Ministério Público que combate o crime organizado. A Sanasa está na mira da promotoria, que suspeita da existência de um grande foco de corrupção, desvios e licitações dirigidas.

A contratação da Construtora Camargo Corrêa para o projeto Anhumas - estação de tratamento de água - teve início na gestão Guillo, mas ele esclareceu que deixou o cargo dias antes da abertura dos envelopes com os preços. O relato de Guillo foi convincente, avalia a promotoria.

"Dois motivos justificavam a intimação (de Guillo): primeiro, documentos apreendidos pela Operação Castelo de Areia e, mais diretamente, contratos da Sanasa que tiveram início em sua gestão", anotou o promotor Amauri Silveira Filho. "Ele esclareceu pontos obscuros e os procedimentos adotados sob sua responsabilidade. As explicações dele são suficientes. Não há mais necessidade de investigar os contratos de sua gestão na Sanasa."

Para os promotores, as informações de Guillo permitiram estabelecer "situações diferentes" na Sanasa. "Presidentes diferentes conduziram de forma diferente contratos iguais", aponta Silveira. "Havia uma equipe encarregada de fazer o procedimento licitatório, Em outras gestões o próprio presidente cuidava. O relato (de Guillo)foi esclarecedor. Ele não tratou com empreiteiras, ao passo que outros presidentes trataram."

"Contei como funcionavam os procedimentos internos da Sanasa", disse Guillo. "Foi importante para terem a clareza de modelos de gestão. Eu não negociava contrato. Tinha quem fazia o edital, o pessoal que recebia e abria os envelopes com as propostas. Foi assim quando presidi a Sanasa. Não há suspeita relativa ao meu período."

Sobre a citação a seu nome em manuscritos apreendidos pela Polícia Federal no âmbito da Castelo de Areia, Guillo disse ter ficado perplexo. Os papéis foram encontrados em poder de um executivo da empreiteira. A PF suspeita que os dados fazem referência a suposto pagamento de propinas. Guillo foi taxativo: "Não tenho a mínima ideia de como meu nome foi incluído nessas anotações. Aliás, esses manuscritos nem têm data. Para mim foi uma completa surpresa. Nunca fui chamado (pela PF) para falar desse tema."

Análise

AMAURI SILVEIRA Fº

PROMOTOR DO GAECO

"Presidentes diferentes conduziram de forma diferente contratos iguais da Sanasa. Estamos investigando focos de corrupção e desvios na administração da empresa"

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