"Eu não queria apoio de Garotinho", afirmou Jarbas

O senador eleito por Pernambuco, o ex-governador Jarbas Vasconcelos (PMDB), na quarta-feira, engrossou o coro dos que questionam o apoio do seu correligionário, o ex-governador Anthony Garotinho (PMDB), ao candidato tucano a presidente da República, Geraldo Alckmin. "Eu não queria esse apoio", afirmou Jarbas, sem meias palavras, em entrevista. "Essa história de que todo apoio é bem-vindo não é verdade".Ele justificou sua restrição a Garotinho porque, na sua avaliação, "ele não vai acrescentar coisa nenhuma" e deixa o tucano numa situação desconfortável, porque a partir de agora, Alckmin vai ter de dar explicações, o que não é uma situação boa.Embora tenha afirmado que respeita a posição de Alckmin, Jarbas justificou sua rejeição ao correligionário, que não é de hoje. "Ele tem uma prática incorreta, usa meios de comunicação e a Igreja para atender seus objetivos e tem várias denúncias de envolvimento com problemas de malversação do dinheiro público, tanto ele como a esposa (a governadora Rosinha)".O senador eleito lembrou que Garotinho teve comportamento inadequado dentro do PMDB, quando tentou ser indicado candidato a presidente da República pelo partido. Frontalmente contra a sua candidatura, Jarbas disse ter surgido até a suposição de que ele estaria prestando um serviço ao presidente Lula, porque Garotinho poderia crescer e levar a eleição para um segundo turno. "Eu já via como um desastre uma ascensão de Garotinho indo para o segundo turno", afirmou.O fato do presidente nacional do PMDB estar ao lado de Garotinho não surpreendeu o pernambucano. "Temer está junto dele desde a convenção, desde o processo de escolha interna do PMDB, ele teve muita proteção de Michel Temer". Ele considerou acertada, no entanto, a decisão do PMDB de liberar os parlamentares no segundo turno. "Tem uma banda que se juntou a Lula e outra (banda) que não quis se juntar, da qual eu faço parte", disse. "Se fosse dada alguma orientação, seria muito ruim.EngajamentoNa campanha estadual do segundo turno - com o seu candidato, o governador Mendonça Filho (PFL) enfrentando o ex-ministro da Ciência e Tecnologia, Eduardo Campos (PSB) - Jarbas deixou claro que não pretende ceder espaço do programa eleitoral gratuito estadual para o candidato a presidente."Será uma eleição radicalizada entre duas pessoas, dois lados, um lado é carne o outro é peixe", avaliou. "O candidato do nosso opositor é Lula, o nosso é Alckmin, vamos fazer uma campanha conjunta, apenas no guia (como é chamado o programa eleitoral gratuito em Pernambuco) Alckmin tem 10 minutos e Mendonça tem 10 minutos", afirmou. Cada um deve aproveitar bem o seu tempo. No primeiro turno, o nome de Alckmin não foi vinculado a Jarbas e a Mendonça na campanha.Na avaliação de Jarbas, os debates é que serão determinantes nesta campanha presidencial do segundo turno. "Os debates irão definir o rumo da eleição".Reforma PolíticaNo Senado, Jarbas vai lutar pela reforma política, "a mãe de todas as reformas", que "já deveria ter sido feita no governo Fernando Henrique Cardoso". "Se não tiver fidelidade partidária, se não se aprofundar mais restrições a legendas de aluguel, e sem financiamento público e sem voto distrital, não vamos a lugar nenhum", frisou. "Qualquer candidato que seja eleito (Lula ou Alckmin) fica refém do Congresso".Na avaliação de Jarbas, no início do seu governo, na busca de maioria no Congresso, Lula "teve a infelicidade de acatar sugestões partidas do próprio PT para fazer alianças com a banda podre do PMDB e aí deu mensalão, deu isso, deu aquilo"."O presidente não governa sem maioria, e sem fidelidade partidária, os deputados podem trocar de legenda quantas vezes quiser, é uma prostituição", disse ao defender, também, a cláusula de barreira. "Se tiver que mexer, é para apertar mais, a saída para os pequenos é a fusão".

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