Kleber A. Gonçalves/Diario do Nordeste
Kleber A. Gonçalves/Diario do Nordeste

'Eu só tinha ele', diz pai de um dos sete mortos em Fortaleza

Antônio Carlos Barros perdeu o filho Carlos Victor, de 23 anos, na série de ataques registrados na noite de sexta

Carmen Pompeu, Especial para O Estado

10 Março 2018 | 15h52

FORTALEZA  - "Eu só tinha ele", lamentou Antônio Carlos Barros, pai de um dos sete mortos na série de ataques ocorridos, sexta-feira, 9, à noite, no bairro Benfica, em Fortaleza. Carlos Victor Meneses de Barros, 23 anos, era filho único e não tinha antecedentes criminais. Ele foi morto na Vila Demétrio. Participava de um churrasco na sede da Torcida Uniformizada do Fortaleza (TUF).

De acordo com um dirigente da TUF, que pediu anonimato, toda sexta há reuniões na sede da torcida. O dirigente não acredita em rixa entre torcedores. Prefere chamar o ataque de "ato terrorista". 

Carlos Victor, segundo o pai, trabalhava em uma agência lotérica. Era torcedor do Fortaleza. O pai chegou a pedir que ele não fosse para a sede da TUF no dia. "Mas, pai, não é perigoso. Eu sou um cidadão trabalhador", teria dito o rapaz ao pai.

Outra vítima, Adenilton da Silva Ferreira, 24 anos, era conhecido pelo apelido de "Mascote", porque entrou ainda muito novo na TUF. Nas redes sociais, ele se apresentava como "filho de Deus".

O governador do Ceará, Camilo Santana (PT), afirmou que o episódio no bairro Benfica é "mais um fato muito grave, inaceitável, e que desafia o sistema de segurança e justiça". Ele garantiu que assim como aconteceu na chacina no bairro Cajazeiras, onde 14 pessoas foram mortas em um clube de forró, em janeiro, o Ceará dará uma resposta rápida.

No episódio das Cajazeiras, o governador destacou que 11 envolvidos foram presos, inclusive o mandante da chacina. "Temos a real compreensão da gravidade da situação. Tanto que tenho investido como nunca na segurança e trabalhado noite e dia. Infelizmente, há uma falha geral no sistema, que envolve também as leis e a Justiça", disse Camilo Santana.

O governador cearense criticou ainda a impunidade. "Nunca a polícia trabalhou tanto; prendeu tanto. E o que vemos são casos e mais casos de criminosos de alta periculosidade que matam, roubam e traficam e são soltos por medidas judiciais. Já agem na certeza da impunidade."

Camilo relatou que no encontro entre os governadores do Nordeste, realizado essa semana, todos os presentes reclamaram da mesma situação em seus Estados. "Todos passam pela mesma dificuldade", destacou.

O prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT), cancelou uma viagem para os Estados Unidos, onde faria um curso na área da primeira infância, na próxima semana, a convite da Universidade de Harvard. O cancelamento, segundo informou a assessoria do prefeito, foi motivado pelos episódios de violência ocorridos no Benfica.

Ele também convocou uma reunião na tarde deste sábado, 10, com representantes da Câmara de Vereadores e secretários municipais para tratar da situação gerada em função dos assassinatos.

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