''Eu trabalho com verba pública e faço prestação de tudo'', diz Liane

Segundo assessora de Serys, parecer do Senado permite que servidor da Casa possa trabalhar também em alguma ONG

Leandro Colon e Fábio Graner, O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2010 | 00h00

A presidente do Instituto de Pesquisa Ação e Mobilização (Ipam), Liane Muhlenberg, afirmou que um parecer da procuradoria do Senado deixa claro que não existe empecilho legal para que um servidor da Casa também trabalhe em organização não governamental. Foi taxativa ao dizer que os contratos do Ipam são feitos e executados com correção. O Estado procurou ontem a senadora, mas não houve retorno até o fechamento desta edição.

"Garanto a lisura de todos os contratos. Trabalho com verbas públicas. E faço prestação de contas de tudo", disse Muhlenberg ao Estado, destacando que coloca os contratos de convênios no blog do Ipam (http://ipam-df.blogspot.com).

Ela negou ter qualquer vinculação, formal ou informal, com o PT, disse que já trabalhou com parlamentar do PSDB - segundo ela, o senador Siqueira Campos (TO) -, e lembrou que o Ipam já executou projetos que foram objeto de emendas do deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF). "Sou altamente especializada na área de comunicação, por isso consigo trabalho", disse, informando ser graduada em jornalismo e especialista em "mobilização social".

A presidente do Ipam disse que não foi indicada por petistas para trabalhar com a senadora Serys Slhesarenko e que foi procurar por conta própria este emprego, no qual trabalhava cerca de seis horas por dia. Disse que escolheu Serys pelo seu perfil..

Liane também atribui à afinidade de perfil a escolha dos deputados que o Ipam procurou para oferecer seus serviços na implementação dos projetos. "Faço o contato com o parlamentar pelo perfil de atuação dele", disse. Segundo ela, o fato de os trabalhos do Ipam se concentrarem em dois parlamentares é porque o serviço tem sido bem feito. "Eu executo bem, sou uma organização correta, porque não vão fazer comigo?", ponderou.

Ela disse que não repassa recursos para parlamentares cujas emendas geraram contratos com o Instituto.

"Não topo nada disso. Gosto de andar de cabeça erguida", disse Liane. Como presidente do Ipam, ela afirmou que não recebe salário do instituto e que sua renda vem do emprego no Senado, do qual pediu demissão, e de consultorias prestadas.

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