EUA começam a julgar o último chefão de Nova York

Joseph Massino chegou ao topo da carreira, o ?don? da família Bonanno, uma das mais importante da Máfia americana, abrindo o caminho com golpes em outros gângsters, jogo ilegal e assassinato. Hoje, Massino compareceu a um tribunal federal, no Broocklyn, para a primeira sessão do seu julgamento por extorsão.?Este julgamento é sobre a ascensão corrupta, violenta, astuta e assassina de Joseph Massino ao poder?, disse o assistente da promotoria Robert Henoch aos jurados.Massino, de 61 anos, é único chefão de uma das cinco famílias mafiosas de Nova York que não está na prisão ou esperando sentença, o que levou a imprensa a chamá-lo ?o último don?.O advogado de defesa, David Breitbart, diz que Massino foi entregue por informantes que foram coagidos a mentir pelos promotores e pelo FBI.Num passo inusitado, Bretibart anunciou que não pretende contestar o fato de que Massino chefiava a família Bonanno, na qual se infiltrou, desde os anos 70, o agente Joseph Pistone, do FBI, que usava o nome de guerra de Donnie Brasco.As acusações contra Massino incluem as mortes de um capitão e um soldado da Bonanno, que responsabilizaram-se por Pistone. O testemunho do agente ajudou a mandar para a prisão mais de 120 mafiosos.Breitbart taxou Pistone de ?preguiçoso, alguém que foi seduzido pela organização e tornou-se um viciado, um rabo-de-saia?.A acusação ainda não determinou se Pistone testemunhará contra Massino.Mais devastador para o chefão foi a traição de seu cunhado, Salvatore Vitale, um dos sete, pelo menos, vira-casacas a testemunhar.A cooperação deles deu aos promotores munição crucial em seus esforços de mandar a julgamento Massino, que se esquivava dos aparelhos de escuta fazendo que seus subordinados se referissem a ele apenas por um toque em seus narizes, segundo Henoch. A promotoria diz que Massino comandava, na maior parte do tempo, sua organização a partir do CasaBlanca, um restaurante do Queens ? bairro popular de Nova York ? que seus capangas tinham ordens de proteger.Breitbart diz que demonstrará como as testemunhas de acusação tornaram-se suspeitas, por sua cumplicidade nos crimes de que acusam Massino de comandar, e pela suposta coerção nas mãos da promotoria e do FBI.?Eles os seduziram, os subornaram, os torturaram para tornarem-se testemunhas?, o advogado afirma.A promotoria indicou como primeira testemunha o ex-funcionário da Teamsters Anthony Giliberti, que deveria descrever como Massino o atingiu e ameaçou sua vida antes de Giliberti ser alvejado por nove tiros, em 1982.Mas Giliberti, de 80 anos, deu um testemunho confuso e hesitante, admitindo na inquirição que não poderia identificar Massino como o homem sentado à mesa da defesa.?Não sei quem é aquele cara?, disse Giliberti, que confessou que os seis medicamentos que toma diariamente afetam sua memória.Massino começou sua carreira roubando caminhões, disse a promotoria. Ele ascendeu, na família Bonanno, de soldado a capitão e depois a chefe orquestrando, no mínimo, sete assassinatos de subordinados e rivais.As acusações contra Massino também incluem lavagem de dinheiro, agiotagem e incêndios criminosos. Ele pode pegar a pena máxima de prisão perpétua, se condenado.

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