EUA preocupados com enfraquecimento de Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva saiu enfraquecido do primeiro turno das eleições presidenciais e isso pode causar preocupação junto à Casa Branca, segundo o cientista político Arturo Valenzuela, diretor do Centro de Estudos Latino-americanos da Universidade de Georgetown, em Washington, e ex-assessor do governo na gestão de Bill Clinton.Em entrevista à BBC, Valenzuela disse acreditar em uma vitória de Lula no segundo turno, no dia 29 de outubro, mas que o desempenho do presidente nas urnas apresenta sinais preocupantes. "Ele está enfraquecido porque (as pesquisas) mostram que em um período bem curto sua preferência junto ao eleitorado baixou. Pesquisas indicam que no segundo turno ele pode ganhar por 49% a 44%, se não tiver nenhum escândalo adicional durante este período."Para Valenzuela, "um Lula enfraquecido seria mais desestabilizador na situação política do Brasil, e isso seria problemático pois os Estados Unidos, com seus interesses em outras partes do mundo, precisa de um Brasil forte na região."Tanto fazO analista afirma que, para os Estados Unidos, não faz muita diferença se o vencedor das eleições presidenciais no Brasil for Luiz Inácio Lula da Silva ou Geraldo Alckmin. "Não faz muita diferença se Alckmin ganhar em termos da relação com os Estados Unidos porque o Brasil vem mantendo uma relação boa com o país", disse Valenzuela à BBC."Lula pode apoiar Chávez na ONU (Organização das Nações Unidas) - e esse é um problema com a política americana -, mas de maneira geral a relação na maioria das questões, exceto em comércio, tem sido razoavelmente boa", disse o analista.O analista disse que não há razões para temer uma aproximação maior de Lula com líderes regionais de ideologias antagônicas à Casa Branca. "Lula não entrou na muito na retórica muito mais esquerdista de (Hugo) Chávez (presidente da Venezuela) e Evo Morales (presidente da Bolívia)." E completou: "Essa é a ironia da situação de Lula: ele foi bem sucedido como líder da esquerda mas manteve políticas econômicas ortodoxas, conservadoras", afirmou.

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