Europa ordena troca de sensor de Airbus

Aviões franceses terão de instalar peça de companhia americana

Andrei Netto, O Estadao de S.Paulo

01 Agosto 2009 | 00h00

As suspeitas de que as sondas de velocidade do Airbus A330 teriam contribuído para a queda do voo 447 da Air France no Oceano Atlântico, no dia 31 de maio, ganharam mais força. A Agência Europeia de Segurança da Aviação (Easa) publicou ontem uma ordem (diretiva de navegação) para que as companhias substituam todos os sensores Thales AA - que equipavam o avião no momento do queda - e dois em cada três Thales BA, de nova geração, nos modelos A330 e A340. A norma foi divulgada ontem à tarde, em Colônia, Alemanha. Agora, os Airbus terão de voar com no mínimo dois tubos de pitot fabricados pela americana Goodrich, concorrente da francesa Thales Avionics. A Easa afirmou, porém, que "todos os três tipos cumprem as normas de segurança" e que a decisão tem "caráter preventivo". O porta-voz da agência, Daniel Hoeltgen, informou ao Estado que técnicos de segurança da aviação civil da França e da União Europeia vinham analisando informações repassadas por companhias sobre o desempenho de sensores Thales. Desde a revelação de que o voo AF 447 havia enfrentado pane da "velocidade aferida" - uma falha dos tubos de pitot -, a pressão sobre as autoridades europeias vinha crescendo. Soube-se que a Air France já havia registrado sete panes em seis meses. Outros episódios passaram a ser investigados, como o voo TAM 8091, que sofreu perda brusca de altitude na rota Miami-São Paulo, em maio.A situação se agravou nesta semana, quando um novo incidente com sondas de um Airbus A330, em voo entre Roma e Paris, foi revelado pelo jornal Le Figaro. Na noite de quinta-feira, a Airbus divulgou orientação às companhias clientes recomendando a substituição, agora tornada obrigatória pela Easa. "Tivemos retornos de nossos operadores e, baseados nessas informações, decidimos publicar a orientação", afirmou a porta-voz da Airbus, Claudia Müller.A fabricante segue negando que a falha dos sensores tenha sido determinante para a queda do voo AF 447. A Thales informou à agência Dow Jones que já havia sido informada da decisão da Easa. "Como fornecedora, a Thales sempre respeita as especificações da Airbus no que concerne às sondas. A empresa lembra que elas são feitas conforme os critérios da Airbus e certificadas", defendeu-se a empresa. A Air France informou que substituirá os sensores. Em abril, a companhia já havia iniciado a troca dos pitots Thales AA por BA, acelerado após a queda do AF 447. O Escritório de Investigação e Análise (BEA), responsável pela apuração do desastre, não quis se pronunciar. Até aqui, os peritos se recusavam a apontar o congelamento dos pitots como a causa central da queda, preferindo defini-los como "um elemento".

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