Europa teme retorno de cinzas vulcânicas; mais voos cancelados

Passageiros na Europa enfrentaram novos transtornos no tráfego aéreo quando uma nuvem de cinza vulcânica que custou milhões de euros às companhias aéreas no mês passado começou a voltar ao continente, segundo autoridades.

TIM HE, REUTERS

10 de maio de 2010 | 12h59

A agência de controle do tráfego aéreo europeu, Eurocontrol, disse nesta segunda-feira que as áreas de concentração maior das cinzas podem voltar do oceano Atlântico para a península ibérica, ameaçando fechar novamente o espaço aéreo de Portugal e da Espanha.

A Europa enfrenta fechamentos do tráfego aéreo há semanas, desde que, em abril, um vulcão em erupção sob a geleira Eyjafjallajokull, na Islândia, começou a emitir uma nuvem de cinzas.

Centenas de voos foram cancelados no fim de semana devido a temores de que a nuvem, que está se deslocando, possa prejudicar os motores de aviões.

Itália e Alemanha reabriram seu espaço aéreo no domingo, mas as restrições aos voos foram mantidas em partes de Portugal, Espanha, Áustria e Reino Unido.

O maior fechamento até agora começou em 15 de abril e durou quase uma semana, levando ao cancelamento de cerca de 100 mil voos, deixando milhões de passageiros sem poder viajar e causando prejuízos de mais de 1,7 bilhão de dólares às companhias aéreas.

As cinzas vulcânicas são abrasivas, podendo danificar superfícies aerodinâmicas e paralisar os motores de aviões. Também podem danificar os para-brisas e os componentes eletrônicos dos aviões.

Os fechamentos mais recentes suscitaram novas críticas à maneira como as autoridades do tráfego aéreo estão lidando com a situação. As empresas alemãs Lufthansa e Air Berlin pediram que as autoridades recolham dados sobre as partículas de cinzas, e não apenas se baseiem em modelos computadorizados.

PREJUÍZOS

As companhias aéreas europeias estão começando a contabilizar os prejuízos causados pela nuvem de cinzas, em termos de números de passageiros.

A Air France-KLM disse que perdeu quase um quarto de seus passageiros europeus em abril devido ao fechamento do espaço aéreo, provocando queda de 16 por cento no tráfego total.

A companhia aérea irlandesa Aer Lingus disse que transportou 25 por cento menos passageiros. Os aeroportos do Reino Unido tiveram 23 por cento menos passageiros em abril, segundo a Ferrovial, sua proprietária.

A Fraport, operadora do aeroporto de Frankfurt, na Alemanha, deve divulgar na terça-feira seus números sobre o tráfego aéreo em abril e seus resultados do primeiro trimestre.

A queda do tráfego de passageiros em abril acontece no momento em que o mundo começava a recuperar-se da queda grande no tráfego aéreo que atingiu seu ápice em março de 2009.

De acordo com a Associação Internacional dos Transportes Aéreos, as companhias aéreas mundiais perderam cerca de 9,4 bilhões de dólares no ano passado em função da recessão, que levou os passageiros a limitar seus gastos.

A Air France-KLM reiterou que cada dia em que precisa suspender seus voos completamente reduz seus resultados operacionais líquidos em 35 milhões de euros.

A Lufthansa, que vai divulgar seus números relativos ao tráfego aéreo na terça-feira, disse que perdeu quase 200 milhões de euros em abril devido às cinzas vulcânicas.

"Os problemas no fim de semana vão custar à Lufthansa mais alguns milhões de euros e serão visíveis quando forem divulgadas as cifras de tráfego aéreo em maio", disse o analista da LBBW Per-Ola Hellgren.

(Reportagem adicional de Padraic Halpin, em Dublin, e Rhys Jones, em Londres)

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