Felipe Rau/Estadão Conteúdo
Felipe Rau/Estadão Conteúdo

Evangélicos na Marcha para Jesus criticam comercial de O Boticário

Para parte dos participantes do evento, propaganda com homossexuais pode estimular comportamento inadequado

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

05 de junho de 2015 | 10h23

SÃO PAULO - Alvo de boicote por lideranças religiosas, a campanha de cosméticos para o Dia dos Namorados de O Boticário foi criticada pelos participantes da Marcha Para Jesus. A peça publicitária da maior rede de perfumes do País inclui imagens de casais homossexuais consumindo produtos da marca. 

"Quando eu assisto a uma luta, fico com vontade de lutar. As crianças assistem e querem fazer igual. Essa propaganda estimula as pessoas a mudar o comportamento", reclamou o estudante Carlos Gabriel Medrado, de 15 anos. Evangélico da Igreja Pentecostal Palavra Viva, em Sapopemba, na zona leste da capital, o jovem disse que o comercial vai fazer aumentar o preconceito contra os gays. "Não tenho nada contra, mas essa exposição só piora". Ele disse frequentar a igreja "desde que nasceu" e veio à Marcha pela quinta vez com a irmã Eloíse Medrado, de 25. Ela concorda com o caçula. "Sou contra o casamento de pessoas do mesmo sexo".

A estudante Damares Viana, de 19 anos, diz "temer pelo futuro das crianças". por causa da exposição à propaganda. "Você quer ter um filho homossexual? Não gostaria que meus futuros filhos vissem isso na TV, influencia", criticou. "Homossexualismo já existe há muito tempo, mas eles têm que aceitar nosso direito de não concordar". 

Já a auxiliar de saüde bucal Angélica Souza, de 33 anos e frequentadora da Igreja Evangélica Cristã diz que o comercial desrespeita os preceitos de sua religião. "Deus fez Adão e Eva. Não é Adão e Adão nem Eva e Eva". O estudante Rafael Dias, da Assembleia de Deus, concorda. "Homem nasceu com pênis para reproduzir com mulher".

De 15 participantes da Marcha ouvidos pela reportagem, só a estudante Ingrid Tainá, de 19 anos, saiu em defesa da propaganda. "Por mim tanto faz, cada um pratica o que quer. Tem tanta coisa pior acontecendo no Brasil, como falta de médicos, violência e acidentes. Deviam parar de se preocupar com algo que não afeta a vida de ninguém", disse a jovem, que frequenta a Igreja Oliveira, na zona norte da capital. 

A novela Babilônia, transmitida na Rede Globo, também foi alvo de reclamações. A trama exibiu, logo no primeiro capítulo, um beijo do casal gay formado pelas personagens Estela (Fernanda Montenegro) e Teresa (Nathalia Timberg). "Se eles colocam todo mundo vestido de preto na novela, o público começa a usar só preto. O povo brasileiro tem essa cultura de seguir o que está nas novelas, inclusive o comportamento", diz  o técnico em telefonia Marco Aurélio Rodrigues, de 49 anos e adepto da Igreja Quadrangular. Para ele, o casal na tela pode influenciar o telespectador a ter relações homoafetivas. A copeira Elaine Cristina Val, de 49, concordou. "Uma pessoa que está indefinida quanto aos relacionamentos por ter passado lor uma frustração amorosa pode olhar para aquilo e achar que é o certo. Respeito a opção das pessoas escolherem o que querem, mas isso aqui é um evento evangélico. Aqui nós seguimos a palavra de Deus, do jeito que Cristo ensinou". 

Curados. O pastor Erivan Carlos, da Igreja Unidos pela Fé, em Francisco Morato, criticou o boicote. "Cada um escolhe o que quer fazer da vida. Eu, por  exemplo, escolhi ser pastor. Acolhemos quem quiser ser acolhido", disse ele. Apesar de não entender a homossexualidade como uma doença, Carlos contou que todos os gays que entraram em sua igreja foram "curados". "Eu não faço boicote porque prefiro a palavra como salvação. Eles entram gays e depois se convertem, mudam de vida". O pastor comparou os gays a dependentes químicos. "Veja só no caso dos drogados. Muitos entram na igreja, não sabem o caminho. Quando decidem ouvir a palavra de deus, saem desse mundo", afirmou.

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