Ex-alunos da PUC são condenados por estupro

Pegaram 7 anos e meio e vão recorrer em liberdade

Tatiana Fávaro, O Estadao de S.Paulo

26 de março de 2009 | 00h00

Os ex-estudantes do curso de Arquitetura e Urbanismo da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC/Campinas) Alan Klaus Meszards Bueno e Luciano Pereira de Oliveira foram condenados a 7 anos e 6 meses de prisão pelo estupro de uma ex-aluna do mesmo curso, em dezembro de 2004. Bueno e Oliveira poderão responder ao processo em liberdade. De acordo com a Justiça, não foram identificados requisitos para o pedido de prisão cautelar dos acusados. Um terceiro ex-aluno da PUC/Campinas, que também era réu no processo, foi julgado inocente. Os réus poderão recorrer da decisão no Tribunal de Justiça. O advogado Marcelo Murillo de Almeida Passos, que defende um dos réus, disse que vai entrar com recurso no TJ, pedindo nulidade da sentença. O motivo seria o fato de o processo ter sido iniciado por um juiz e julgado por um juiz substituto. "O novo Código Penal tem um dispositivo que determina que quem tem de sentenciar é o juiz da causa", afirma. O advogado da vítima, Ralph Tórtima Stettinger Filho, disse que não vai recorrer da decisão que garante o benefício de permanência dos réus em liberdade durante o julgamento dos recursos. Stettinger Filho afirmou que tanto ele quanto a família consideram a decisão satisfatória. "Esse tipo de decisão não é muito comum nessa classe social. Além disso, muitas mulheres de classe social melhor não dão queixa nesses casos para evitar exposição. Mesmo sabendo que eram jovens da faculdade, a vítima não fraquejou e decidiu não silenciar diante dos fatos."O CASOA ex-aluna, cuja identidade foi preservada, tinha 24 anos e participava de uma festa de confraternização de fim de ano do curso de Arquitetura e Urbanismo, em dezembro de 2004, quando se sentiu mal após ter ingerido bebida alcoólica. Acompanhada de um conhecido, foi levada até o carro dos estudantes, que a deixariam em seu apartamento. A garota disse ter acordado em uma república, sem roupa, com dores no corpo e manchas na calcinha. Ao perguntar o que havia ocorrido, foi informada de que ela havia passado mal e que os garotos a teriam ajudado a tomar banho e a colocado para dormir. Ao procurar um médico, recebeu informações de que havia tido relação sexual e resolveu procurar a polícia. Com um mandado de busca e apreensão, os policiais encontraram em um computador na casa uma foto da vítima inconsciente no banheiro, segurada por dois rapazes e um terceiro em pé, ao lado dela, seminu. Para Passos, da defesa, a prova não mostra indício de estupro. "O sexo foi consentido", disse. A vítima ainda recebe acompanhamento psicológico.

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