Manuel Diaz/AP
Manuel Diaz/AP

Ex-arcebispo acusado de pedofilia morre antes de ser julgado

Promotoria de Justiça ordenou autópsia do corpo de Wesolowski; segundo o Vaticano, ex-núncio morreu de "causas naturais"

EFE

28 Agosto 2015 | 10h42

O ex-núncio polonês Jozef Wesolowski, que enfrentava julgamento no Tribunal do Vaticano por crimes de pedofilia, morreu na madrugada desta sexta-feira, 28, informaram forntes da Santa Sé. Wesolowski esolowski não se apresentou a julgamento no Vaticano em 11 de julho do ano passado, alegando que estava internado em um hospital público de Roma. Em comunicado, o Vaticano informou que o ex-núncio, de 67 anos, foi encontrado morto na sala de estar por "causas naturais".

Wesolowski era ex-arcebispo polonês e diplomata papal. Ele foi destituído do sacerdócio no ano passado após denúncias de pagar crianças em troca de atos sexuais.

A Promotoria de Justiça ordenou que seja realizada uma autópsia ainda nesta sexta-feira, cujos resultados serão comunicados o quanto antes possível, acrescentou a nota. O Papa Francisco foi imediatamente informado do falecimento, afirmou o Vaticano.

Em uma das declarações públicas, o vice-diretor da Sala de Imprensa do Vaticano, Ciro Benedittini, explicou que o ex-diplomata vaticano foi encontrado morto às 5h (horário local), sentado diante da televisão ligada, por um franciscano que vive no Colégio Penitenciário, localizado nos Jardins Vaticanos, onde estava à espera do julgamento.

O estado de saúde do ex-núncio foi conhecido durante a primeira audiência de seu julgamento quando o advogado apresentou o documetno em que se certificava que Wesolowski havia ingressado na noite anterior em um hospital romado depois de ter sido atendido por um centro de urgências do Vaticano.

Wesolowski estava sob cuidados médicos neste local após ter recebido alta em 17 de julho. Sua hospitalização foi necessária em função de uma grave queda de pressão arterial. 

O ex-núncio era acusado de cinco crimes, entre eles de acessar sites pornográficos na internet, de posse de material de pedofilia e abuso de menores durante sua estadia na ilha caribenha onde foi núncio entre 2008 e 2013.

Além disso, há acusações de abuso de crianças com idades entre 13 e 16 anos durante a sua estadia na República Dominicana. Wesolowski foi o primeiro bispo preso no Vaticano. Era também o primeiro caso de abuso de crianças protagonizado por um padre a ser julgado no Tribunal da Santa Sé. 

A primeira audiência durou apenas alguns minutos e foi adiada por ausência do polonês. O Tribunal, por decisão papal, estava formados por três leigos: o presidente Giuseppe Dalla Torre e os juízes Antônio Bonnet e Paolo Papanti-Pellenttier.

O escândalo estourou após reportagem de uma emissora de televisão dominicana, que assegurou que Wesolowski supostamente pagava para ter relações sexuais com menores de idade no país.

Em 27 de junho de 2014, Wesolowski foi expulso do sacerdório depois de processo canônico. Em 22 de setembro, foi preso e, posteriormente, posto em liberdade sob vigilância, com a obrigação de não abandonar o Vaticano.

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