Ex-bispo de Mariana ganha título de venerável e deve ser beatificado

Português, d. Antônio Ferreira Viçoso chegou ao Brasil em 1820, onde se tornou protetor dos escravos e defensor dos direitos da Igreja. Falta a constatação de um milagre atribuído à sua intercessão

José Maria Mayrink, O Estado de S. Paulo

10 de julho de 2014 | 14h49

SÃO PAULO - Um dos fundadores do Colégio do Caraça, em Minas, d. Antônio Ferreira Viçoso, deverá ser beatificado tão logo seja reconhecido um milagre atribuído à sua intercessão. O papa Francisco autorizou o cardeal Angelo Amato, prefeito da Congregação das Causas dos Santos, a promulgar o decreto de declaração das virtudes heroicas do até agora servo de Deus que dirigiu a diocese de Mariana, por 29 anos, no século 19. Ele agora passa a ter o título de venerável.

Natural de Peniche, em Portugal, d. Viçoso foi ordenado padre em 1819 e chegou ao Brasil no ano seguinte, em companhia do padre Leandro Rebello Peixoto e Castro. Lazaristas ou membros  da Congregação da Missão, fundada por São Vicente de Paulo, receberam em doação do rei d.João VI as terras da Serra do Caraça, com a condição de abrir ali um colégio. Fundado em 1774 pelo Irmão Lourenço, um nobre da família Távora que fugiu da perseguição do Marquês de Pombal, o Caraça era uma casa de peregrinação.

Antônio Viçoso foi diretor do colégio, pregador de missões populares e superior provincial dos lazaristas. Em 1844 foi ordenado bispo de Mariana. Embora nomeado sob regime de patronato, que previa aprovação do governo, dirigiu a diocese de acordo com a orientação do papa e não segundo as regras impostas pelo imperador d. Pedro II. Reformou o Seminário de Mariana e disciplinou o clero, então marcado por escândalos e pela devassidão. Cônegos da catedral de Mariana sustentavam concubinas, cujas filhas desfilavam em procissões vestidas de anjo. 

Conhecido como pai dos pobres e dos órfãos, d. Viçoso foi protetor dos escravos e defensor dos direitos da Igreja. Morreu em 1875. Seu sucessor, d. Silvério Gomes Pimenta, seu afilhado e primeiro biógrafo, abriu a causa de canonização em 1916. Interrompido em 1922 com a morte de d. Silvério, o processo foi retomado nos anos 1960 pelo arcebispo d. Oscar de Oliveira.

Um possível milagre atribuído a d. Viçoso seria a extraordinária recuperação de saúde do padre Célio Maria Dell’ Amore, vítima de grave hemorragia subaracnoida, que alcançou melhora definitiva e quase imediata, depois do toque em sua cabeça do solidéu de d. Viçoso, quando estava internado. 

Outro beneficiário de eventual milagre teria sido d. Luciano Mendes de Almeida, então arcebispo de Mariana, que pediu a intercessão de d. Viçoso, em 1990, quando sofreu politraumatismo em acidente de carro, na serra de Itabirito, em Minas. D. Luciano, que morreu em 2006, também é candidato a santo. Seu processo foi aberto em 2011 e o Vaticano deu sinal verde (nihil obstat) para prosseguimento da causa. Chamado agora servo de Deus, d. Luciano foi sepultado na cripta da catedral basílica de Mariana, ao lado de d. Viçoso. 

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