Ex-chefe da Polícia Civil do Rio é indiciado pela PF por violação de sigilo

Allan Turnowski é acusado de passar informações sobre investigação do órgão para inspetor preso

Bruno Boghossian, O Estado de S. Paulo

17 de fevereiro de 2011 | 19h47

RIO - O ex-chefe de Polícia Civil do Rio, delegado Allan Turnowski, foi indiciado na noite desta quinta-feira, 17, pela Polícia Federal por violação de sigilo funcional. Ele é acusado de ter passado informações sobre a Operação Guilhotina ao inspetor Christiano Gaspar Fernandes, preso no sábado por envolvimento com milicianos e desvio de bens de traficantes detidos.

 

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O inquérito da PF que cita o nome de Turnowski ainda será analisado pelo Ministério Público antes de ser encaminhado à Justiça. Se condenado pela revelação de informações sigilosas obtidas em razão de seu cargo, a pena pode ser de dois a seis anos de prisão.

 

Após prestar depoimento na superintendência da Polícia Federal do Rio pela segunda vez, Turnowski negou que tenha avisado Christiano sobre a investigação e voltou a afirmar que desconhecia a realização da Operação Guilhotina. O ex-chefe da Polícia Civil rebateu ainda o indiciamento realizado pelo delegado da PF Allan Dias, que indica que Turnowski havia sido informado sobre a operação pelo secretário de Segurança, José Mariano Beltrame.

 

"Se ele (Beltrame) disser que me comunicou, eu vou responder, mas eu tenho certeza que esse juízo de valor do delegado não passa no primeiro crivo do Ministério Público e da Justiça", afirmou Turnowski. "Antes de eu ser indiciado, teria que perguntar ao secretário de Segurança se ele se comunicou comigo", completou.

 

Em nota, a Secretaria de Segurança confirmou que Beltrame não foi ouvido pela Polícia Federal e informou que não informou a Turnowski sobre a existência da Operação Guilhotina.

 

Depois do depoimento, o ex-chefe da Polícia Civil também negou as acusações de que tivesse recebido propinas de R$ 100 mil por mês para permitir a venda de produtos piratas no Camelódromo da Uruguaiana, no Centro do Rio, e de R$ 500 mil para evitar investigações em áreas dominadas por uma milícia. "Nada foi provado. Os autos foram para a Justiça e não tem nada contra mim", afirmou.

 

Turnowski já tinha prestado depoimento à PF quando a operação foi deflagrada. Diante das suspeitas de seu envolvimento com as quadrilhas formadas pelos policiais e de seu desgaste diante de uma rixa com o delegado Claudio Ferraz, que havia colaborado com a investigação, ele acabou sendo exonerado do cargo na terça-feira.

 

Texto atualizado às 22h30.

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