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Ex-chefe dos bombeiros acusado de nove mortes se entrega no Paraná

Série de assassinatos seria em vingança pela morte do filho, ocorrida em outubro de 2009

Evandro Fadel, O Estado de S. Paulo

28 Janeiro 2011 | 14h07

CURITIBA - O ex-comandante da Polícia Militar do Paraná coronel Jorge Luiz Thais Martins, de 56 anos, suspeito de envolvimento na morte de nove pessoas em Curitiba, entregou-se nesta sexta-feira, 28, no início da tarde, no Quartel Geral da Polícia Militar, na capital paranaense, onde está detido. Martins era procurado desde a manhã de quinta-feira, quando a polícia cumpriu mandados de busca e apreensão em sua casa para coletar provas para o inquérito policial. A prisão temporária tem duração de 30 dias.

 

Um dos advogados que defendem o coronel, Eurolino Sechinel dos Reis, reafirmou que seu cliente é inocente. Segundo ele, o inquérito foi "mal conduzido" pela polícia, que teria confiado apenas no depoimento de usuários de drogas e nem sequer cogitou de pedir quebra de sigilo telefônico do coronel. "Vamos provar que em determinados dias e horários ele não estava onde estão dizendo", afirmou o advogado. O pedido de soltura do coronel será protocolado segunda-feira na Justiça.

 

Em entrevista coletiva na tarde de hoje, o delegado-chefe da Polícia Civil, Marcos Vinicius Michelotto, relevou as críticas feitas por Reis. "Não vamos entrar na discussão com o advogado, que está fazendo seu trabalho", disse. "Respeitamos o trabalho do advogado. Todas as provas serão levadas ao Ministério Público e ao Judiciário." A polícia confirmou ter trabalhado com informações de testemunhas. Além das nove mortes, cinco pessoas ficaram feridas e outras teriam escapado ilesas dos atentados.

 

Segundo a delegada Vanessa Alice, que esteve à frente da Delegacia de Homicídios até o ano passado, somente com o interrogatório a que o coronel será submetido, a polícia poderá concluir se a atuação seria em vingança pela morte do filho. O filho de Martins, José Guilherme Marinho Martins, de 26 anos, foi morto no dia 22 de outubro de 2009, durante uma tentativa de assalto. Dois adolescentes presos sob suspeita foram soltos em meados do ano passado por falta de provas. Não há nenhum boletim em que eles reclamem terem sofrido qualquer ameaça.

 

Os crimes que são atribuídos ao coronel começaram em agosto do ano passado e se estenderam até o início deste ano. "Há informações de que nas ameaças havia mais de uma pessoa, mas nos homicídios somente uma pessoa agia", disse a delegada. Os cinco inquéritos abertos para investigar as nove mortes ocorridas no mesmo Bairro Boqueirão em que o filho do coronel foi morto foram reunidos. "As provas se confundem em determinado momento", justificou a delegada. Todos os mortos eram usuários de drogas.

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