Ex-comandante defende que Exército continue no Haiti

Em seminário no Rio, general Peixoto disse que seria 'prematuro' deixar o país caribenho; Jobim voltou a criticar EUA

Wilson Tosta e Glauber Gonçalves, O Estado de S.Paulo

05 Novembro 2010 | 00h00

RIO

O general de brigada Floriano Peixoto Vieira Neto, ex-comandante das operações militares da Missão das Nações Unidas no Haiti (Minustah), afirmou ontem considerar prematura a retirada do Brasil do país caribenho, onde as forças brasileiras comandam o contingente da ONU desde 2004. Embora ressaltando que a decisão é do Itamaraty - os militares são "um mecanismo da política externa brasileira", afirmou -, o oficial disse que há "uma expectativa muito grande de que todos os agentes, não só o Brasil, permaneçam". O militar não quis opinar sobre a postura do futuro governo Dilma Rousseff no assunto.

"Pela condição em que se encontra o Haiti, o aspecto da estabilização é fundamental para que outros órgãos se sintam estimulados a colaborar, principalmente a comunidade internacional, de modo que o Haiti possa alcançar uma condição de autossustentabilidade", afirmou o general, após palestra no último dia da 7.ª Conferência do Forte de Copacabana - Segurança Internacional. "Sair neste momento creio que seria um pouco prematuro. Agora, a decisão de sair ou permanecer no Haiti cabe única e exclusivamente ao que percebe o Ministério das Relações Exteriores."

Peixoto lembrou que o mandato para a missão de paz é renovado a cada ano - em 2010, isso ocorreu em 14 de outubro. Segundo o general, o Brasil atualmente tem 2.200 oficiais e praças servindo em território haitiano, e mais de 10 mil militares brasileiros passaram pelo país, desde o início da Minustah.

Soberania. No mesmo evento, anteontem, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, fez duras críticas aos Estados Unidos. Em tom áspero, afirmou que o Brasil não aceita discutir assuntos relativos à soberania do Oceano Atlântico enquanto os norte-americanos não aderirem à convenção da ONU sobre o direito do mar, que estabelece regras para exploração de recursos em águas nacionais. Jobim também condenou a expansão das fronteiras de atuação da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e atacou o embargo dos Estados Unidos a Cuba.

"Os direitos do Brasil aos fundos marinhos até 350 milhas do litoral, onde está nosso pré-sal, decorre da convenção. Só é possível conversar com um país que respeite essa regra", disse. "Não pensamos em termos soberanias compartilhadas. Que soberania os Estados Unidos querem compartilhar? Apenas as nossas ou as deles também?"

Jobim também atacou a relação dos EUA com Cuba. "Qual foi o resultado do embargo a Cuba? Produziram um país orgulhoso, pobre e com ódio dos Estados Unidos."

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