Ex-comandante defende uso do Exército na segurança

O general-de-exército Francisco Albuquerque, no discurso de despedida do cargo, disse nesta quinta-feira, 8, que está convicto de que o Exército pode colaborar na preservação da segurança da sociedade, desde que seja aprovada uma lei específica sobre o assunto. Em solenidade no Clube do Exército, em Brasília, o general Albuquerque foi substituído no comando pelo general-de-exército Enzo Peri. Ele defendeu a participação dos militares brasileiras na Força Internacional de Paz das Nações Unidas no Haiti, dizendo que essa participação permite uma circunstância de emprego (de militares na segurança pública) "que muito contribui para o aperfeiçoamento da operacionalidade das nossas tropas."Em seguida, Albuquerque se declarou "convicto" de que o Exército "pode e deve colaborar com a garantia e a preservação da segurança da sociedade, conforme o que está prescrito na Constituição." E acrescentou: "O preparo de nossos militares para as operações de paz e os resultados atingidos comprovam a nossa capacidade. Há, porém, que se aprovar uma legislação que dê suporte a esse emprego específico da força terrestre."O ex-comandante do Exército declarou-se convencido de que o regime democrático, "hoje, plenamente consolidado em nosso País", é o único que atende aos anseios da sociedade brasileira e, portanto, ele deve ser permanentemente exaltado e fortalecido.Quando o ministro da Defesa era José Viegas, ainda no início do primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Albuquerque foi criticado por causa dos termos de uma nota divulgada pelo Comando do Exército sobre a morte do jornalista Vladimir Herzog durante a ditadura militar. Na nota, o general defendia a ação repressiva exercida contra os que combatiam o regime militar. As controvérsias em torno da nota acabaram derrubando Viegas do cargo.No discurso, Albuquerque reclamou da escassez dos recursos à disposição do Exército. O general reconheceu que a modernização é dependente do crescimento do País e declarou: "No presente período, os recursos à disposição da Força não foram, é óbvio, suficiente para superar o desgaste de décadas. Entretanto, há que reconhecer que houve melhoria em relação a períodos anteriores."

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