Ex-delegado é condenado por morte de corregedor

O ex-delegado da Polícia Federal Carlos Leonel da Silva Cruz foi condenado, na madrugada de hoje, a 28 anos de prisão em regime fechado, sob acusação de contratar dois pistoleiros que em maio de l998 assassinaram o delegado corregedor da Polícia Federal, Alcioni Serafim de Santana. A sentença foi lida pelo juiz presidente do Tribunal do Júri Federal em São Paulo, Marco Aurélio de Mello Castriani, após sete dias consecutivos de julgamento, o mais longo já ocorrido desde a instalação da Justiça Federal, em l967.Como a pena foi superior a 20 anos, Cruz tem direito a um segundo júri, bastando que a defesa interponha recurso denominado "protesto por novo júri", cujo acolhimento é imediato. O ex-delegado, preso desde l998, foi devolvido ao presídio especial da Polícia Civil, onde vem cumprindo pena de três anos e seis meses de reclusão por crime de concussão(corrupção de funcionário público).Os jurados, por 6 votos a 1, acolheram integralmente a acusação sustentada pelo procurador da República Luiz Carlos dos Santos Gonçalves, e condenaram Cruz como mandante de homicídio duplamente qualificado, cometido por "motivo torpe e para assegurar a impunidade de outro crime". O ex-delegado, segundo a acusação, cometeu o crime por vingança, pois o corregedor, que o estava investigando por atos de corrupção, estaria prestes a pedir a sua prisão preventiva.O delegado foi morto a tiros na porta de sua residência na Vila Mazzei, na zona norte da cidade. Foram apontados como autores dos disparos, Gildásio Teixeira Roma, condenado pelo júri no ano passado a 25 anos de prisão, e Carlos Alberto da Silva Gomes, condenado em primeiro julgamento a 25 anos e absolvido no segundo. Deverá enfrentar ainda um terceiro júri, por decisão do Tribunal Regional Federal que acolheu recurso da acusação.Estão ainda condenados o ex-sargento PM Sérgio Bueno, a 27 anos de cadeia, e Gildenor Alves de Oliveira, a 19 anos. Os dois são acusados de intermediarem a contratação dos pistoleiros.

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