Ex-deputado atendeu a cidade de acusado de 'levar maço de notas'

Emenda de R$ 100 mil proposta por Zé Bruno beneficiou entidade de Nhandeara indicada por Fabricio Marcolino

Fabio Serapião, de O Estado de S.Paulo

06 Outubro 2011 | 03h05

O ex-deputado José Antonio Bruno (DEM), o Zé Bruno, destinou emenda parlamentar no valor de R$ 100 mil para uma entidade da cidade de Nhandeara (SP) indicada por Fabricio Menezes Marcolino, presidente do Partido Trabalhista Nacional (PTN) em São José do Rio Preto.

Em depoimento à Corregedoria-Geral da Administração (CGA), uma testemunha afirma ter presenciado, em 2009, Fabricio no gabinete do parlamentar entregando "um maço de notas de R$ 100" como forma de pagamento por uma emenda.

"Houve uma oportunidade em que Fabricio chegou muito eufórico na sede do gabinete, cumprimentou a todos e entrou direto na sala do deputado", disse a testemunha. "Eu ouvi ele (Fabricio) dizer ao deputado José Antonio Bruno: 'Deputado, tá aqui a emenda'. Eu vi Fabricio entregar nas mãos do deputado um maço."

Destinada à Sociedade Protetora da Criança e Adolescente de Nhandeara, a emenda de R$ 100 mil, segundo o próprio Fabricio, foi utilizada para a cobertura de uma quadra da entidade.

Fabricio reagiu com veemência à citação ao seu nome. Indignado, ele nega ser lobista de emendas e relaciona a facilidade em conseguir verbas via parlamentares ao "grande círculo de amigos políticos que possui".

O próprio Zé Bruno declarou que Fabricio certa vez levou a ele uma relação de emendas. "Ele dizia que era amigo de outros deputados. O Fabricio foi várias vezes no meu gabinete com prefeitos."

Fabricio foi vereador e vice-prefeito de Nhandeara e trabalhou na Assembleia, entre 1993 e 1995. "Sou amigo de todo mundo, não só de prefeito. Sou amigo de Deus e o mundo. É uma aberração jogar o meu nome nessa lama", protesta.

Cita outros deputados com os quais afirma ter obtido emendas para a entidade de sua cidade.

Fabricio disse que vai processar seus acusadores por crime contra a honra. "Eu nunca levei nenhum envelope para o deputado Zé Bruno, nem pedindo emenda." Ele diz que as afirmações das testemunhas que depuseram na CGA "são fruto de uma guerra entre igrejas", que teria sido desencadeada com a saída do ex-deputado da Renascer, liderada pela família Hernandez. "Todos os assessores do Zé Bruno eram indicação dos Hernandez, tinha esse boato na Assembleia. O Zé Bruno nunca me pediu uma bala."

"Fui a Nhandeara porque fiz audiência pública da CPI da Pedofilia em uma cidade próxima", disse Zé Bruno. "Tinha R$ 2 milhões para as emendas, fiz essa de R$ 100 mil através do Fabricio. Ele foi à Assembleia e apresentou a emenda e mais algumas outras. Eu não posso acusar o Fabricio de lobista."

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