Ex-deputado Carli Filho deve ir a júri popular por atropelar dois no Paraná

Ele é acusado de dirigir após ter tomado vinho com amigos em maio de 2009, e causar um acidente que resultou na morte de duas pessoas

Evandro Fadel, O Estado de S. Paulo

18 de janeiro de 2011 | 16h56

CURITIBA - O juiz da 2ª Vara do Tribunal do Júri de Curitiba, Daniel Surdi de Avelar, decidiu nesta terça-feira, 18, que o ex-deputado estadual do Paraná Fernando Ribas Carli Filho, de 29 anos, será submetido a julgamento no Tribunal do Júri.

 

Ele é acusado de ter provocado um acidente em 7 de maio de 2009, que resultou na morte de duas pessoas. A acusação é de que o ex-deputado dirigia a alta velocidade após ter tomado vinho com amigos em um restaurante. Ele também estaria com a carteira de habilitação suspensa. "Julgo admissível a acusação para o fim de pronunciar o réu", afirmou o juiz no processo.

 

O advogado de defesa de Carli Filho, Roberto Brzezinski, não retornou as ligações telefônicas feitas a seu escritório, mas deve recorrer da sentença ao Tribunal de Justiça. A acusação é de duplo homicídio doloso eventual na forma qualificada. De acordo com o advogado assistente de acusação, Elias Mattar Assad, caso fosse pronunciado como acidente de trânsito, a pena seria de no máximo quatro anos com cumprimento em regime aberto. Submetido ao júri, ele pode ser condenado a pena de 12 a 30 anos de prisão em regime fechado.

 

De acordo com a acusação, na madrugada do dia 7, Carli Filho deixou um restaurante no Bairro Campo Comprido, após ter tomado bebida alcoólica, segundo testemunhas. Os exames de sangue não foram aceitos como prova pela Justiça, sob alegação de que a coleta foi feita sem autorização. Em uma via onde a velocidade máxima permitida é de 60 quilômetros por hora, o carro desenvolvia velocidade entre 161 e 173 quilômetros por hora, de acordo com perícia do Instituto de Criminalística.

 

Ele acabou atingindo o carro que era dirigido por Gilmar Rafael Yared, de 26 anos, e que levava como passageiro Murilo de Almeida, de 20 anos. O ex-deputado sofreu várias fraturas, mas já está recuperado. Ele responde ao processo em liberdade, trabalhando em uma rádio da família em Guarapuava, na região central do Paraná. Carli Filho renunciou ao mandato de deputado estadual quando a Assembleia Legislativa estava prestes a abrir processo no Conselho de Ética.

 

"É possível um carro ser usado como uma arma. Essa é a mensagem maior dessa decisão da justiça paranaense", disse Assad. Ele acredita que o Tribunal de Justiça deve analisar o recurso da defesa em até três meses, o que permitiria que o julgamento fosse realizado ainda este ano. A mãe de Gilmar Yared, Christiane Yared, afirmou que a decisão é uma "contribuição para as famílias brasileiras". A defesa alegou, entre outras coisas, ilicitude de provas, nulidade do processo e que o Ministério Público não poderia investigar por se tratar de deputado. Mas o juiz desconsiderou os argumentos.

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