Ex-deputado Carli Filho vai a júri popular por atropelar dois em 2009

Ele é acusado de atropelar e provocar a morte de dois jovens em Curitiba, em 2009

Evandro Fadel, O Estado de S. Paulo

16 de junho de 2011 | 16h59

CURITIBA - A 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) confirmou nesta quinta, 16, a decisão do juiz da 2ª Vara do Tribunal do Júri de Curitiba, Daniel Surdi Avelar, determinando que o ex-deputado Luiz Fernando Ribas Carli Filho, de 29 anos, seja submetido a júri popular. Carli Filho é acusado de provocar a morte de dois jovens na madrugada do dia 7 de maio de 2009, ao dirigir embriagado e em alta velocidade numa das ruas do Bairro Campo Comprido, em Curitiba. A defesa vai recorrer da decisão no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

 

"A gente sempre lutou para isso. Não é questão de vingança, nós lutamos por justiça, por um país melhor, por famílias", disse a mãe de um dos jovens mortos, Cristiane Yared. O TJ entendeu que Carli Filho cometeu duplo homicídio simples, descaracterizando uma das denúncias de que a morte teria sido causada de surpresa, impossibilitando defesa para as vítimas. Os defensores acreditam que essa foi uma vitória parcial em razão de a pena, no caso de condenação, ter caído de 12 a 30 anos para seis a 20 anos. "Logicamente é solução favorável", disse o advogado René Ariel Dotti.

 

No processo, várias testemunhas disseram que o ex-deputado havia bebido vinho naquela noite e foi aconselhado a não dirigir. Ele teria, inclusive, chegado a entrar no banco traseiro do carro de amigos, mas depois saiu e decidiu ir para casa em seu próprio veículo. Logo depois, em velocidade média de 167 quilômetros por hora, de acordo com perícia, atingiu o carro em que estavam Gilmar Rafael Souza Yared, de 26 anos, e Carlos Murilo de Almeida, de 20 anos. O ex-deputado também somava 130 pontos em sua carteira de habilitação, que estava suspensa.

 

Os defensores de Carli Filho argumentaram que ele estava na preferencial, além de reclamarem de que não lhes foi dado o direito de ampla defesa por terem tomado conhecimento de laudos periciais somente no momento do interrogatório de testemunhas. Também destacaram que o ex-deputado havia apresentado um projeto de lei que pretendia dar desconto no IPVA para motoristas que não tivessem nenhum ponto na carteira. "Isso não é vontade de matar, jamais deveria ser tratado como crime doloso", argumentou Dotti.

 

No entanto, o próprio advogado já admitiu que pode haver uma condenação de seu cliente. "Temos convicção de que o fato será visto como ele ocorreu realmente, sem que o tribunal se impressione com o sofrimento das vítimas e a repercussão do caso, que possa trazer um erro judiciário", disse Dotti. "Não porque deva ser absolvido, mas que deva ter a pena justa, de acordo com as circunstâncias." O advogado de acusação, Elias Mattar Assad, afirmou que o mais importante é o fato de o TJ ter referendado o júri popular. "Vai responder por dois crimes de homicídio na forma simples, mas continua a acusação de duplo homicídio doloso eventual", reforçou. Ele disse que fará tudo para que o júri aconteça ainda este ano.

 

Notícia atualizada às 17h34.

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